Cuéllar fica, mas não é consenso: o que o Grêmio realmente decide ao manter o volante
O Grêmio tomou uma decisão que parece simples no papel, mas que carrega múltiplas camadas estratégicas: manter Gustavo Cuéllar no elenco ao menos até a abertura da janela do meio do ano. Não há rescisão, não há pressa e, principalmente, não há ruptura.
A escolha atende a três necessidades imediatas do clube: estabilidade de elenco, preservação financeira e gestão de vestiário. Em um calendário que exige rodagem, manter um volante experiente reduz riscos no curto prazo. Mas isso não significa que a permanência seja consenso absoluto internamente.
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Por que a decisão foi tomada agora
O momento pesa. O Grêmio entra em uma fase decisiva da temporada, com múltiplas competições e pouco espaço para testes. Abrir mão de Cuéllar sem uma reposição clara significaria expor ainda mais um meio-campo que já sofre com oscilações.
Além disso, o próprio jogador manifestou o desejo de permanecer. Forçar uma saída agora seria criar um problema onde não existe urgência.
Experiência como ativo — e como limite
Cuéllar ainda entrega leitura defensiva e posicionamento. Em jogos de maior controle, isso ajuda. O problema surge quando o ritmo aumenta. A intensidade já não é a mesma, e isso impacta a capacidade de sustentar transições rápidas.
A comissão técnica sabe disso. Por isso, a avaliação é jogo a jogo. Não há blindagem, tampouco descarte.
A janela como divisor de águas
O meio do ano será decisivo. Se surgir proposta, o Grêmio não fará força para segurar. Isso mostra que o clube entende Cuéllar como solução temporária, não como pilar de longo prazo.
Manter agora é ganhar tempo. E tempo, no futebol, também é estratégia.
O que essa decisão diz sobre o Grêmio
Mais do que sobre Cuéllar, a escolha revela um Grêmio que tenta evitar decisões bruscas. O clube aprende, ainda que lentamente, que planejamento não se faz com rompimentos repentinos, mas com controle de cenário.
Cuéllar fica. Mas fica com prazo, com avaliação e com um relógio correndo contra ele.