O Grêmio vive um ponto de virada: sem união, nem o trabalho de Luis Castro sobreviverá
Enquanto as nuvens pesadas dos resultados insistem em rondar a Arena, e a desconfiança tenta, sorrateira, se alojar na mente de parte da torcida, o Grêmio avança para o confronto mais decisivo da temporada — justamente na competição que mais pesa para esta província, para esta história e para esta camisa.
É exatamente nesse cenário que a reflexão se impõe. Não estaria na hora, como legítimos gremistas, de deixarmos rusgas, frustrações acumuladas e divisões internas de lado para abraçar o clube de forma plena? A corda está esticada, é verdade. Mas quem carrega décadas de arquibancada sabe: já estivemos aqui antes. E foi justamente nesses momentos que o Grêmio encontrou força onde poucos encontram — no espírito coletivo que nasce nas cadeiras, cresce no cimento da geral e invade o campo como combustível emocional.
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O Grêmio nunca foi apenas um time. Sempre foi um estado de espírito.
Agora, mais do que nunca, é preciso compreender o momento de inflexão que o clube vive. Há uma nova diretoria, com um novo padrão de gestão, tentando romper práticas antigas que nos empurraram para um ciclo desgastante: pressão desmedida, treinador descartado, outro contratado às pressas, milhões desperdiçados em indenizações, e títulos que nunca chegam.
Esse ciclo vicioso precisa acabar.
A chegada de Luis Castro representa justamente uma tentativa de mudança de rota. Um treinador identificado com processo, construção e metodologia — algo raro em um ambiente historicamente impaciente. Mas nenhum projeto se sustenta se não houver tranquilidade. Sem respaldo, nem o melhor trabalho resiste.
A responsabilidade, portanto, não é apenas do clube. É também nossa.
Apoiar não significa aceitar tudo passivamente. Apoiar é entender o contexto, diferenciar cobrança de sabotagem emocional, crítica de tumulto. Apoiar é saber o momento de pressionar e, principalmente, o momento de proteger.
Se falharmos nisso, o roteiro é conhecido: mais uma ruptura, mais um recomeço forçado, mais um ano jogado fora.
Porque, no fim das contas, para que o Grêmio volte a ser verdadeiramente Grêmio, é preciso — antes de tudo — que os gremistas sejam mais gremistas. Unidos quando o vento sopra contra. Fortes quando a dúvida tenta entrar. Incondicionais quando a camisa mais precisa.
A história já nos ensinou. Cabe a nós decidir se aprendemos.