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Os “Isentos”: a falsa neutralidade do jornalismo esportivo no Rio Grande do Sul

 


Introdução

No Rio Grande do Sul, parte do jornalismo esportivo construiu ao longo dos anos um discurso confortável: o da suposta isenção. Ao declarar publicamente que não torce nem para Grêmio nem para Inter, muitos profissionais acreditam estar automaticamente protegidos de críticas e cobranças. No entanto, isenção não se proclama — se pratica.


O que realmente significa ser isento

No sentido literal da palavra, ser isento é não tomar partido, agir com imparcialidade e analisar os fatos com equilíbrio. Isso não depende da revelação ou não de uma preferência clubística, mas sim da forma como a informação é interpretada, contextualizada e transmitida ao público.

É perfeitamente possível ser torcedor assumido de um clube e ainda assim produzir análises honestas, responsáveis e coerentes. Da mesma forma, esconder o time do coração não garante neutralidade alguma.


A falsa neutralidade e o clubismo disfarçado

Na prática, muitos dos chamados “isentos” deixam transparecer suas preferências nas entrelinhas. O tom das críticas, a escolha de palavras, o peso dado a erros e acertos revelam muito mais do que qualquer declaração formal.

Leitores, ouvintes e telespectadores percebem isso com clareza. O público não é ingênuo. A tentativa de se blindar atrás da neutralidade, muitas vezes, apenas reforça a desconfiança.


O peso da RBS na formação da opinião pública

No cenário gaúcho, a influência da RBS é desproporcional. Sua audiência concentrada concede um poder de moldar narrativas maior do que o de todos os outros veículos somados. E é justamente nesse ambiente que surgem algumas das distorções mais graves da informação esportiva, frequentemente protagonizadas por jornalistas que se autodeclaram isentos.

Essa condição cria uma sensação de autoridade absoluta, onde opiniões passam a ser tratadas como verdades incontestáveis.


Respeito do público não vem da neutralidade

Se fosse feita uma pesquisa sobre quais jornalistas esportivos são mais respeitados pelas torcidas no Rio Grande do Sul, nomes identificados clubisticamente apareceriam com destaque. Guerrinha é um exemplo claro. Assumidamente gremista, comenta jogos na Arena e mantém credibilidade junto ao público.

Em contrapartida, jornalistas que se colocam como isentos são frequentemente alvo de rejeição, não por esconderem seus clubes, mas pela crítica excessiva, muitas vezes destrutiva e descontextualizada.


O futebol gaúcho não é neutro — e nunca será

O Rio Grande do Sul é, por essência, dividido. Não existe gaúcho isento quando o assunto é futebol. A rivalidade entre Grêmio e Inter faz parte da identidade cultural do estado e é tratada, historicamente, como virtude.

Negar isso é negar a própria realidade do futebol local.


Conclusão

Seria mais honesto — e provavelmente mais respeitado — que jornalistas esportivos assumissem suas preferências clubísticas. A transparência fortalece a credibilidade. A falsa neutralidade, ao contrário, apenas cria desconfiança.

Protegidos por esse manto da isenção proclamada, muitos não conquistam respeito. E o público, cada vez mais atento, já percebeu isso.


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✍️ Sobre o autor

Márcio Oliveski é criador do blog Grêmio Copero Histórico, Criador de conteúdo esportivo e pesquisador da história do Grêmio. Apaixonado pelo Tricolor, dedica-se a resgatar memórias e curiosidades que marcaram gerações de torcedores.


Grêmio de Todos Nós

Este conteúdo integra a série editorial Grêmio de Todos Nós, um espaço dedicado à história, identidade, memória e consciência gremista. Aqui, o Grêmio é tratado como patrimônio cultural, coletivo e histórico, indo além de resultados, mercado e manchetes do futebol.


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