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Grêmio por Vitor Ramil
Publicado em 16/abr/2010 por Aline Cardias.
Tags: Entrevistas, gremistas ilustres, vitor ramil

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Por Leonardo Fleck
Vitor Ramil de Satolep. Antes de nada te conto que, mesmo estando ao sul do sul e tendo erva-mate ao alcance das mãos, quando a saudade das nossas coisas bate recorro muitas vezes às tuas músicas e ali me refugio uns instantes, em silêncio. Obrigado, velho.
Aqui neste espaço definimos que o futebol do Grêmio é rugby para os brasileiros e arte para gremista ver. Isso posto, pergunto:
Fleck -- A falta de rigor formal que constatastes na música urbana do Rio Grande do Sul na brilhante “estética do frio” é completamente oposta quando o objeto de análise passa a ser o futebol praticado pelo Grêmio? Em outras palavras e, exemplificando com uma imagem mental, uma noite gelada, um campo encharcado e um volante que desliza horizontalmente sobre ele com os dois pés decididos e projetados para frente, imparáveis, na direção do alvo, seja o alvo, bola, canela ou o que for.
Vitor Ramil -- Tá divertida essa tua comparação, parabéns. Mas não posso puxar a estética do frio pro futebol sem levar a coisa na brincadeira, embora a expressão venha sendo usada de maneira bem generalizante, pelos mais variados motivos. Já é um conceito polêmico ainda que restrito ao contexto da música popular, imagina no do futebol. De todo modo, acho que no coração do futebol-arte bate sempre o rigor, a concisão, a clareza… Excetuando a “canela” como alvo, sonho tudo isso para o nosso querido Grêmio.
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Fleck - Como defines a estética Grêmio de praticar o esporte?
Vitor Ramil -- A estética da raça futebolistica. Por mais que mudem os jogadores, que uma formação de uma época seja muito superior a de outra, a raça está sempre lá.
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Fleck - Existe alguma relação especial entre as composições de Vitor Ramil e o seu clube do coração?
Vitor Ramil -- Gosto do Grêmio quando seu futebol flui: não gosto de canções na retranca.
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Fleck -- Por que o Grêmio, Vitor?
Vitor Ramil - Sei lá, coisa de família. Com exceção de dois irmãos problemáticos, sempre fomos gremistas lá em casa. Acho que minha tia Dadá, gremista fanática, foi nossa inspiradora.
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Aline -- Diante de um sentimento quase que explícito da maioria dos gaúchos, de negarmos uma condição de “estado brasileiro”, concordas com o “conceito” de que o Grêmio é o menos brasileiro dos clubes?
Vitor Ramil - Não concordo que os gaúchos neguem sua condição de estado brasileiro. Não é correto dizer isso, a não que haja algum estudo que eu desconheça. Já a imagem do Grêmio como um time “argentino” é bastante forte, sim, no país. Mas o Grêmio é um timão porque é brasileiro.
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Aline -- Quando afirmas que o Rio Grande do Sul não está à margem do centro do Brasil, mas sim no centro de uma outra história consegues visualizar o Tricolor neste contexto? Por quê?
Vitor Ramil -- Bem, aí acho que as marcas platinas que costumam ser vistas no Grêmio se justificam um pouco, não? Temos um longo histórico de jogadores uruguaios e argentinos qualificando o nosso futebol, assim como temos muitos pais e avós uruguaios ou argentinos entre os torcedores…
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Aline -- Qual a sensação de ouvir, na tua voz, o hino imortalizado pelo saudoso Lupicínio? Como foi gravar esta obra para o Cd da Revista Placar, em 96?
Vitor Ramil -- Foi uma emoção fazer essa versão, por ser o Grêmio e por ser o Lupi. Acho o nosso hino o mais bonito do país. Acho que fui respeitoso e consegui inseri-lo no contexto atual da canção popular. Pena que o clube nunca use essa versão para nada.
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Aline - O Grêmio traduzido na tua música….
Vitor Ramil - Vem, anda, comigo pelo planeta…!
Charles, Leonardo e Aline, abraço grande pra vocês, e obrigado pela entrevista.
Canção preferida do Grêmio Copero
Em tempos de saudades, pra quem está desgarrado do pago, fala por si.









