Entrevista com Eduardo “Peninha” Bueno
Antes de começarmos, gostaria de dizer que te conheci pessoalmente em Buenos Aires quanto te cumprimentei aos gritos de “não somos brasilianos” espremidos os dois pela massa tricolor na fila de entrada pra Bombonera, final da Copa Libertadores. Aliás, ela fede a mijo e “La 12″ é mitopoieze de 2º categoria.
Peninha, o gremiocopero.com tem uma enorme influência nas tuas idéias e convicções sobre o Grêmio e o futebol. Somos muito gratos (eu e Charles). Muito Obrigado.
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Devaneio/Questão 1 (Leonardo)
O senhor concorda conosco quando afirmamos que o futebol do Grêmio é rugbier?
Peninha: “- Ah, o senhor concorda inteiramente. Doble concorda, aliás. E olha que o senhor aqui não é dos mais concordadores… A não ser, claro, quando depara com questões tão bem colocadas e verdades lapidares como essa. Como leram meu livro, vocês sabem que eu, particularmente, acho que o Grêmio deveria praticar o pok-tai-pok, o ancestral do futebol, jogado por maias e astecas, e no qual o que rolava, além da bola, era a cabeça dos vencidos…. Mas como os tempos mudaram, sejamos condescentes: o futebol rugbier do Grêmio já nos enche de alegria… Que o digam aqueles três dentes e a cara quebrada do tal Alex Mineiro e a voadora do Eduardo Costa no tal Clayton - e essa, pra melhorar, ainda dada pelas costas e fora de campo. Dá-lhe, tricolor!”
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Devaneio/Questão 2 (Leonardo)
O senhor conhece os Brummer? Aqueles mercenários alemães que vieram ao sul do país contratados pelo império, 1851, para “cagar a pau”, junto aos gaúchos, Oribe e Rosas e suas intenções de unificar Uruguai e Argentina.
Na sua teoria o Grêmio é cisplatino, uruguaio, mas seria errado presumir que somos descendentes destes Brummers que se instalaram no RS. E que, por tanto, já buscamos a libertação da América antes e depois de esta ser totalmente liberta em 83? E, ainda que seja errado presumir isso, espalhar essa idéia seria ruim?
Peninha: “- Há um pequeno erro de digitação logo na primeira frase da pergunta. Tenho certeza de que Leonardo quis colocar um ponto de exclamação ao final da frase “Senhor Bueno, o senhor conhece os Brummer”, pois homem inteligente, e temente a Deus, como é, CERTAMENTE não ousaria me PERGUNTAR isso. ..Portanto, SEI que Leonardo estava fazendo uma afirmação e não um questionamento… Isso posto, e dado o fato de o resto da questão ter sido, novamente, de alto brilho e gabarito, vou relevar o deslize… É EVIDENTE que conheço os Brummer - quase pessoalmente, aliás…. Mas, de fato, me sinto agora no limite da vergonha pelo fato de não tê-los mencionado naquela minha obra-prima espetaculosa e genial, “Grêmio: Nada pode ser maior”. Mas vou preparar uma reedição do livro - e incluir nela o edificante episódio da vinda daqueles mercenários alemães à extremadura da nação, pra cobrir os inimigos de porrada. De todo modo, você há de convir: louvei as origens germânicas do Grêmio no livro, mesmo tendo me olvidado dos grandes Brummer, nossos guerreiros germanos.”
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Devaneio/Questão 3 (Leonardo)
Seria o nosso 10 o camisa 5? Desenvolva, por favor, umas poucas linhas sobre essa abençoada posição ‘volante de contenção’.
Peninha: “- Ora, ora, caro Leonardo, já o fiz, já o fiz, em minhas mal traçadas linhas no livro. Vou repeti-las: “O volante de contenção é, indiscutivelmente, o astro-maior, a grande vedete (ops, vedete não - vedetes praticam futebol-bailarino), a peça-chave, o rei, a torre e, sobretudo, o cavalo no grande xadrez que constitui os duelos tático-técnicos do autêntico futebol”. Não tenho mais nada a acrescentar à tão memorável frase… Aliás, ela deveria ser esculpida em bronze!”
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Devaneio/Questão 4 (Charles)
Em 1903 os irlandeses cor de erva-mate decidiram celebrar o dia de São Patricio. Nós, do GremioCopero, entendemos que Patricio não é santo coisíssima nenhuma e decidimos acabar com esse absurdo de uma vez por todas. A partir de agora e de forma irrevogável o Santo a ser celebrado é Portaluppi, as cores são três, e o dia é outro, 11-12-1983! Qual a opinião do Senhor? Também és devoto deste santo?
Peninha: “- Cara, sério! Que idéia genial a de vocês. Além de eu mesmo, por motivos óbvios e devocionais, ter adorado, pude comprovar o impacto da camiseta não apenas no próprio Renato, que ficou com os olhos cheios d´água - apesar de ser espada -, como na gentalha da imprensa carioca, que estava lá, nas Laranjeiras, entrevistando ele no dia em que fui encontrá-lo pruma entrevista sobre a Libertadores de 1983, conquista sobre a qual acabo de escrever um livro. Todo mundo PIROU com a camiseta. E ele pediu que vocês mandassem para ele. Desde aquela vez já avisei o Charles. E então, mandaram? Lembrem-se, o cara é um SANTO demoníaco - e é gremistão. Parabéns de novo! A camiseta é linda - além de totalmente verdadeira!”
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Devaneio/Questão 5 (Charles)
Em seu livro “Grêmio: nada pode ser maior o senhor” o Senhor decorre com maestria a irretocável trajetória tricolor ao longo de seu primeiro século.
Mas agora, com olhar projetado para o futuro, como entendes que será contada a história do Grêmio neste segundo século? E dentro deste contexto, qual a contribuição de Peninha e como ele será lembrado dentro desta história?
Peninha: “- O Grêmio vai continuar sendo no segundo milênio o mesmo que foi no primeiro e será no terceiro: o IMORTAL TRICOLOR! Está lá naquela maravilhosa faixa estendida nas marquizes da Geral: JAMAIS NOS MATARÃO!. O início do segundo milênio vai ser lembrado como o período em que o Grêmio venceu aquela partida inacreditável nos Aflitos e saiu de lá quase que direto para a final da Libertadores, na qual fomos surrupiados pelo Meia Boca (embora eu até goste dele, preciso confessar…). Essa aurora da nova era será lembrada também pelo fato de termos conquistado o campeonato brasileiro de 2008 com Marcel e Paulo Sérgio em campo e Celso Roth no banco! Isso é mais que proeza, isso é pura magia tricolor! É um feito, uma façanha. Ganhar com time bom, qualquer um ganha - quero ver é ganhar com o Anderson Pico! Quanto a mim, gostaria de ser lembrado apenas como um gremista fiel e devotado, e … coveiro de alvi-rubro. Mas enquanto puder, vou continuar escrevendo livros sobre o Grêmio. Pretendo, algum dia, inclusive, fazer um livraço sobre a história do Grêmio, tipo sério, completo e detalhista. Mas, é claro, repleto de fervor e paixão, pois os que já existem, nesses moldes, são meio enfadonhos, pelo menos na minha opinião. E tem até um que foi escrito por um cocolorado (e eu que nem sabia que eles sabiam escrever… )Dá-lhe, tricolor, Dá-lhe, dá-lhe, tricolor!!!!”
Gracias Peninha, e parabéns pelo brilhantismo nas palavras e por personificar tão bem o espírito do gremista.
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