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Goalkeepers – Hemuty HENRIQUE Wendel

Publicado em 12/out/2010 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

Hemuty HENRIQUE Wendel

goalkeeper henrique gremio 1959 1963 Goalkeepers   Hemuty HENRIQUE Wendel

O goleiro Henrique nasceu em Santa Cruz do Sul, no dia 29 de julho de 1934. Surgiu para o futebol no Força e Luz e, depois, transferiu-se para o Renner. Chegou ao Grêmio no início de 1959 para ser reserva de Germinaro. Seu primeiro jogo pelo Tricolor foi contra a Seleção Argentina, em 13 de abril daquele ano. Na reserva de Germinaro, participou na conquista dos títulos Metropolitano e Gaúcho conquistados em 1959. Em 1960, com a contratação do goleiro Suli, continuou na reserva. Naquele ano, participou da conquista do Pentacampeonato Gaúcho. Em 1961, Suli deixou o Tricolor e veio Irno. Mais uma vez, Henrique foi para o banco, esperando pacientemente pela titularidade. Sua grande oportunidade no Grêmio chegou em 1962. Com a perda do título gaúcho no ano anterior, Irno foi para o banco e Henrique passou à titularidade. Sua estatura (era alto para os padrões da época) foi um dos fatores determinantes para a retomada do título Gaúcho de 1962. Vale ressaltar que Henrique foi o goleiro gremista no primeiro ano da seqüência do Heptacampeonato Gaúcho conquistado em 1968. Sua última atuação pelo Grêmio foi em 20 de abril de 1963. Como “goalkeeper” gremista titular, Henrique disputou nove Grenais, obtendo cinco vitórias, dois empates e duas derrotas. Deixou a Azenha e foi para o Corinthians Paulista. Algum tempo depois, retornou ao Rio Grande do Sul e defendeu as cores do Guarani de Bagé e do Cruzeiro de Porto Alegre, antes de encerrar a carreira.

Grêmio de 19621 Goalkeepers   Hemuty HENRIQUE Wendel

Vale a pena lembrar como foi o Gauchão de 1962, vencido pelo Grêmio. Depois da derrota de virada no Grenal final de 1961, o time amargo dispensou seu técnico. Ninguém mais, ninguém menos do que Sérgio Moacir Torres Nunes, um ex-goalkeeper gremista… Para seu lugar, veio Carlos Froner. No Grêmio, continuou Ênio Rodrigues. Com a conquista da Taça Legalidade pelo Tricolor, no início de 1962, Froner foi dispensado pelo pessoal dos Eucaliptos. Assumiu Pedro Figueiró, técnico das equipes de base do clube. O Tricolor, de sangue doce, resolveu excursionar pela Europa para, quando voltasse, disputar os jogos do Gauchão. Os amargos, com mais folga entre um jogo e outro, abriram uma boa vantagem de cinco pontos sobre o Tricolor. Para completar, em 11 de novembro, o Grêmio subiu a Montanha para enfrentar o Cruzeiro e apenas empatou em 2 a 2. Só que os amargos tomaram um 2 a 0 do Guarani de Bagé e a diferença entre ambos caiu para quatro pontos. Nas rodadas seguintes, ambos venceram e a vantagem se manteve. Em 9 de dezembro, o Tricolor jogaria em Pelotas precisando vencer e torcendo por um tropeço do adversário que enfrentaria o Aimoré nos Eucaliptos. O Grêmio derrotou o Pelotas por 4 a 0 e o Aimoré, comandado justamente por Froner, fez 3 a 1 nos amargos. O último jogo seria o Grenal. Nele, mais uma vez, o Grêmio precisaria vencer. O empate daria o Bicampeonato ao adversário. Foi em 16 de dezembro que a casa vermelha começou a ruir: vitória gremista nos Eucaliptos por 2 a 0. O campeonato estava empatado e seria decidido em um clássico extra. Assim, somente em 7 de fevereiro de 1963, no Estádio Olímpico, o Grêmio se tornaria o Super-Campeão Gaúcho de 1962, batendo o adversário por 4 a 2. Sob as traves tricolores, estava, em toda a competição, o goleiro Hemuty Henrique Wendel… Para os “bons em matemática” não custa lembrar que, na época, as vitórias valiam dois pontos e não três, como ocorre na atualidade.

Henrique faleceu no dia 12 de fevereiro de 1999, em um acidente de automóvel na BR 116, Rodovia Régis Bitencourt.

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Goalkeepers – Irno Lubke

Publicado em 27/set/2010 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

Irno Lubke Goalkeepers   Irno Lubke

Irno Lubke

Quando o goleiro Suli deixou o Grêmio e transferiu-se para o São Paulo, no final da temporada de 1960, a direção gremista tinha Henrique que já fora reserva de Germinaro, desde 1959. No entanto, decidiu-se pela contratação de Irno Lubke, então com 26 anos de idade e que atuava pelo Cruzeiro de Porto Alegre. O goleiro Irno nasceu na cidade de Encantado – RS, em 23 de dezembro de 1934. Suas boas atuações pelo Cruzeiro da capital lhe valeram uma convocação para a Seleção Brasileira nos jogos preparativos para a Copa do Mundo de 1962, disputados em 1960. Porém, os resultados do “scratch” brasileiro nesses jogos não foram satisfatórios. Um empate em 2 x 2 com a Seleção Mexicana e as derrotas por 0 x 3 para a Costa Rica e 1 x 2 para a Argentina, foram determinantes para que Irno ficasse de fora da Copa do Mundo. Mesmo assim, despertou o interesse do clube da Azenha, onde jogou as temporadas de 1961 e 62.

No início da década de 1960 o Grêmio somava cinco títulos gaúchos em seqüência (1956, 57, 58, 59 e 60). Infelizmente para Irno Lubke, em 1961 o Tricolor deu uma “relaxada” e acabou perdendo o que seria o Hexacampeonato Gaúcho por detalhe… No ano seguinte, Irno foi para a reserva e Henrique assumiu a titularidade. Foi nessa condição que Irno conquistou o Campeonato Sul-Brasileiro (Taça Legalidade) e o Gauchão de 1962. Ao final da temporada, Irno deixou o Olímpico.

Vale a pena, no entanto, fazer-se uma referência especial ao Gauchão de 1961, não conquistado pelo Grêmio. O primeiro Grenal do ano foi disputado em 10 de setembro com revés gremista pelo escore de 1 x 2. Nesse clássico, o goleiro do Tricolor foi Henrique. Com a competição em pleno andamento, divergências com o então diretor de futebol João Leitão de Abreu, determinaram a saída do vitorioso técnico Foguinho, um dos principais responsáveis pelo Pentacampeonato de 1960. Foguinho foi comandar o Cruzeiro de Porto Alegre… No caminho para o Hexa, no entanto, o Grêmio precisava vencer o Gre-Cruz do dia 15 de novembro para, então, decidir o título no Grenal final… Sob o comando de Foguinho, o Cruzeiro venceu por 1 x 0 e o Grêmio foi para o clássico final sem chances matemáticas de ser Hexacampeão. Mas o Tricolor era e sempre será um clube que honra suas tradições de peleador. Encaminhou-se com altivez para o campo adversário naquele dia 10 de dezembro de 1961, mesmo não tendo mais chances de ser campeão. Era uma questão de honra bater o adversário e estragar a festa. Irno foi o goleiro gremista naquele embate e, vale ressaltar que essa história de o Grêmio precisar fazer dois para valer um é muito antiga… Pois Juarez marcou um gol para o Tricolor no primeiro tempo e que foi anulado sem razão aparente pelo árbitro Omar Rodrigues. Para completar, ainda expulsou o lateral Altemir, deixando o Grêmio com 10 em campo e o placar fechado. O segundo tempo mal havia começado e Alfeu abriu o escore, decretando a desvantagem no placar para o Tricolor. Aos 20 minutos, novamente Alfeu marcou o segundo. Mas, como imortalidade também é coisa antiga para o time da Azenha, quatro, apenas quatro minutos após tomar o segundo gol, o Grêmio descontou com Nadir. O calor daquele dezembro começou literalmente a fritar a confiança adversária e aos 40 minutos, Nadir cruzou e Marino guardou de cabeça decretando o empate. Para colocar “água no chope” do dono da casa, aos 45, Juarez decretou a virada, acabando com a festa de um título por pontos onde, no último round, o nocaute foi do Imortal Tricolor por 3 x 2. Foi após esse legendário clássico que o então vendedor das Massas Adria Paulo Sant’Ana, adentrou o ground dos Eucaliptos vestido de “Papai Noel Azul”.
O legal dessa história é que Irno, mesmo sem ter vencido o Gauchão de 1961, foi o guardião da meta gremista naquele Grenal tão especial e com um resultado que é marca registrada do Imortal da Azenha: vitória de virada com um a menos.

Equipe Gremio 1962 B Goalkeepers   Irno Lubke

Não foram encontradas referências sobre outros clubes pelos quais o goleiro Irno tenha atuado depois da passagem pelo Grêmio. Irno Lubke faleceu ainda jovem, em Carazinho – RS, no dia 23 de maio de 1969, aos 34 anos de idade.

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Goalkeepers – Suli Cabral Machado

Publicado em 10/nov/2009 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

Suli

04 suli Goalkeepers   Suli Cabral Machado O goleiro Suli Cabral Machado, ou apenas “Suli”, nasceu no dia 29 de outubro de 1938, em Pelotas – RS. Surgiu para o futebol atuando pela equipe juvenil do Brasil de Pelotas. Ainda em 1954, com apenas 16 anos de idade, já figurava no time profissional Campeão da cidade, como reserva do goleiro Caruccio. Nascia mais um grande nome do futebol pelotense! Com extrema rapidez, ainda garoto, já conquistava a admiração da torcida Xavante.

Em 1955, mais um título citadino para o rubro-negro da Região Sul e, no ano seguinte, aos 18 anos e na titularidade, Suli seguia com o primeiro clube Campeão Gaúcho para uma longa e gloriosa excursão pelas Américas. Voltou consagrado e foi contratado pelo Aimoré de São Leopoldo. A essa altura da carreira, seu nome já era referido nos bastidores das equipes da capital e, em 1959, com 20 anos de idade, foi contratado pelo Grêmio.

Chegou à Azenha para ser reserva de Germinaro. Com a saída do argentino, Suli venceu Henrique na disputa pela camisa um e assumiu a titularidade em 1960. Integrou, então, a equipe do Grêmio Pentacampeão Gaúcho, que tinha, além dele, Figueiró, Aírton e Ortunho; Elton e Ênio Rodrigues; Marino, Gessy, Juarez, Milton e Vieira.

Em clássicos, estreiou em um Grenal amistoso, realizado em 21 de abril de 1960 e vencido pelo Tricolor por 3 x 0. No Grenal seguinte, realizado no dia 21 de agosto do mesmo ano, o resultado foi ainda melhor: vitória gremista por 5 x 1. Suas boas atuações pela equipe gremista despertaram o interesse de grandes clubes do centro do País. Assim, na temporada seguinte, acabou deixando o Olímpico.

04 o gremio de 1960 1024x709 Goalkeepers   Suli Cabral Machado

Em 1961, o goleiro Suli foi contratado pelo São Paulo. Assumiu a titularidade do tricolor paulista no ano seguinte e lá permaneceu até 1966, quando foi emprestado ao Botafogo de Ribeirão Preto. No clube do interior bandeirante, Suli permaneceu até 1968. Em 1969, voltou aos pagos e para os braços da torcida Xavante. Atuou pelo Brasil de Pelotas até 1973, quando deixou os gramados e mudou de profissão.

O grande goleiro Suli, teve três filhos e seis netos, é médico veterinário e mora em Rio Grande. Ao ser questionado sobre os animais que trata, salienta não gostar de visitar as granjas da região: “É que nunca gostei de frangos e perus”, brinca o ex-goleiro

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Goalkeepers – Ruben Salvador Germinaro

Publicado em 02/out/2009 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

“O Argentino Voador”

germinaro goleiro gremio Goalkeepers   Ruben Salvador GerminaroQuando, no final de 1956, o goleiro Sérgio deixou o Olímpico, a direção gremista tratou de buscar imediatamente um substituto à altura. O escolhido foi o argentino Ruben Salvador Germinaro. A tradicional e conceituada escola argentina de goleiros, por si só, era suficiente “carta de recomendação”. Germinaro começou a carreira jogando no Club Atlético Platense. Transferiu-se, depois, para o tradicional Vélez Sarsfield e, de lá, veio para o Grêmio. O Tricolor da Azenha começou o ano de 1957 defendendo os títulos de Campeão Metropolitano e Campeão Gaúcho. Na meta gremista, Germinaro fazia sua estréia e surpreendia a todos com sua mística “camisa amarela” que, ao lado de ótimas atuações, se tornaria “marca registrada” do grande goleiro. Até então, o fardamento totalmente preto para goleiros era como que um “padrão estabelecido”. Suas defesas, sempre muito seguras, principalmente nas bolas aéreas, logo lhe valeram o apelido de “Argentino Voador”.

Ruben Germinaro defendeu as traves gremistas por três anos: 1957, 58 e 59. Garantiu, com sua habilidade e técnica apurada, a continuidade do bom trabalho de seu antecessor. Levantou os títulos de Bicampeão Metropolitano e Bicampeão Gaúcho em 1957. No ano seguinte, 1958, vieram o Tricampeonato Metropolitano e o Tricampeonato Gaúcho. Ainda em 1958, no dia 25 de setembro, o Grêmio realizou uma partida amistosa no Estádio Olímpico contra o grande Santos de Pelé e Pepe. Na ocasião, a torcida gremista foi brindada com uma grande exibição e uma histórica goleada: vitória tricolor por 4 x 0 e lá estava o “Argentino Voador” para “fechar” a cidadela gremista.

Em 1959, vieram outros três grandes feitos do Grêmio. O primeiro foi a conquista do Tetracampeonato Metropolitano e do Tetracampeonato Estadual, que confirmava a supremacia inquestionável sobre os “amargos”. O Gauchão era o quarto título regional em seqüência de uma série de conquistas que entrou para a história do futebol gaúcho como a dos “Doze Títulos em Treze Anos”. O segundo grande feito foi a memorável goleada sobre o grande Boca Juniors, em pleno Estádio da Bombonera, pelo placar de 4 x 1, com quatro gols do inesquecível Gessy Lima. O terceiro grande feito de 1959 foi o empate em 1 x 1 com a  respeitadíssima Seleção do Uruguai em jogo preparatório da mesma para o Campeonato Sul-Americano realizado em Buenos Aires.

equipe gremio 1957 germinaro Goalkeepers   Ruben Salvador Germinaro

Germinaro deixou a Azenha em 1959 e, também, boas lembranças na memória daqueles torcedores que tiveram a felicidade de presenciar suas brilhantes atuações com a camisa do Tricolor gaúcho. Pelo que se pode apurar, depois de passar pelo Grêmio, Germinaro retornou à Argentina e atuou pelo Huracán, onde teria encerrado sua carreira. Apenas para registro, vale lembrarmos quem era o time do Grêmio no final da década de 1950: Germinaro, Orlando, Aírton Pavilhão e Ortunho; Elton e Ênio Rodrigues; Giovanni, Gessy, Rudimar, Milton e Vieira. No comando da equipe, ninguém mais, ninguém menos do que Oswaldo Rolla, o “Foguinho”.

fontes:
Sites dos clubes Vélez Sarsfield e Huracán da Argentina.
Grêmio, Nada Pode Ser Maior – Eduardo Bueno - Ed. Ediouro 2005
Grenal – História – José Ney – Ed. Grafosul 1977

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Goalkeepers – Sergio Moacir – A Majestade do Arco

Publicado em 11/set/2009 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

sergio moacir torres nunes1 Goalkeepers   Sergio Moacir   A Majestade do Arco“A Majestade do Arco”,assim ficou conhecido, pela crônica esportiva gaúcha da época, o goleiro gremista Sérgio Moacir Torres Nunes. Sérgio nasceu em Taquara, Rio Grande do Sul, no dia 14 de junho de 1926. Iniciou sua carreira de atleta no então Floriano, hoje Novo Hamburgo. Transferiu-se para o Grêmio em 1947, onde permaneceu até 1956. Como goleiro, foi campeão gaúcho em 1949 e 1956. Também em 1956, integrou a Seleção Gaúcha que conquistou o título Pan-Americano, quando a mesma representou o Brasil na competição.

Sérgio Moacir Torres Nunes chegou ao Tricolor quando este ainda mandava seus jogos no lendário “Fortim da Baixada”. Foi ele, no entanto, o primeiro goleiro gremista (titular) a atuar na nova casa do Grêmio, por ocasião da inauguração do Estádio Olímpico, em 19 de setembro de 1954. Na época, o Olímpico era o maior estádio privado do Brasil o que, por si só, já era motivo suficiente para aumentar a ira daqueles que habitavam o Estádio dos Eucaliptos. As festividades de inauguração da nova casa do Grêmio marcaram na história do Tricolor por duas grandes vitórias. No jogo inaugural, o Grêmio bateu o Nacional de Montevidéo pelo escore de 2 x 0. No jogo seguinte, o adversário foi o Liverpool do Uruguai, com vitória gremista por 4 x 0.

Um grande feito gremista na história esportiva gaúcha teve o grande Sérgio Moacir defendendo a cidadela do Tricolor. Foi a conquista do Campeonato Gaúcho de 1956 que abriu uma seqüência de cinco títulos regionais que culminaria com o Pentacampeonato Gaúcho em 1960 e, mais do que isto, com a retomada da hegemonia em 1962, o Grêmio chegaria ao Heptacampeonato Gaúcho em 1968, estabelecendo um período de supremacia que entrou para a história como “Doze Títulos em Treze Anos”. Na conquista gremista do Gauchão de 1956, o Tricolor formava com Sérgio, Aírton Pavilhão e Altino; Figuieró, Calvet e Ênio Rodrigues, Hrecílio, Gessy, Juarez, Milton e Vieira. O técnico gremista era o inesquecível Oswaldo Rolla (Foguinho). No jogo final, o Tricolor bateu o Pelotas no Estádio da Boca do Lobo pelo escore de 3 a 1, com dois gols de Gessy e um de Vieira.

Equipe%20Gremio%201956 Goalkeepers   Sergio Moacir   A Majestade do Arco

A grande atuação de Sérgio no Gauchão de 1956 fez “crescer o olho” dos invejosos que o tiraram do Olímpico. Como não conseguiu repetir suas boas atuações vestindo outra camiseta que não a do Grêmio, Sérgio acabou abandonando a carreira de atleta logo em seguida, para iniciar, então, carreira como técnico. Iniciou-a dirigindo o Flamengo de Caxias do Sul, teve passagens pelo Colorado (PR), Remo (PA), Caxias (RS), Cruzeiro (RS), Avaí (SC), Vitória (BA), só para citar os mais importantes… Porém, foi comandando justamente o Grêmio que chegou ao ápice na carreira esportiva como técnico. Conquistou os Campeonatos Gaúchos de 1962, 1963 e 1968.

Depois de definitivamente abandonar os gramados, Sérgio Moacir Torres Nunes viveu muitos anos como aposentado da função de inspetor de polícia, residindo quase toda a sua aposentadoria em Tramandaí, no litoral gaúcho. Por ocasião das comemorações do Centenário do Grêmio, Sérgio Moacir, “A Magestade do Arco”, foi homenageado pelo Tricolor, sendo imortalizado na “Calçada da Fama” do Estádio Olímpico no dia 18 de setembro de 2003. Quatro anos depois, no dia 23 de junho de 2007, Sérgio faleceu em Viamão, vítima de um infarto fulminante, aos 81 anos de idade. O ex-goleiro e ex-técnico deixou apenas uma filha e tinha em Luiz Felipe Scolari, um de seus grandes amigos e admiradores.

fontes:
Gre-nal – História – José Ney – 1977 – Editora Grafosul
A História dos Grenais – 2ª Edição – 2004 – Editora Artes e Ofícios
David Coimbra – Nico Noronha – Mário Marcos de Souza
Gauchão – A História Ilustrada de Uma Tradição – 2001 – Zero Hora Editora Jornalística S. A.
Site do Milton Neves

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Goalkeepers – Eurico Lara

Publicado em 03/ago/2009 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

eurico lara3 Goalkeepers   Eurico Lara

Nem todos os adjetivos que podem ser dados a um goleiro seriam suficientes para dimensionar e quantificar a importância de Eurico Lara para o Grêmio! Sua trajetória no Tricolor é um misto de história e ficção. E se o nome de um goleiro pudesse servir de sinônimo para o termo “goalkeeper”, esse nome seria Eurico Lara, sem dúvida…

Eurico Lara nasceu em 24 de janeiro de 1897, em Urugaiana, às margens do Rio Uruguai. Conta-se que, certa feita, Máximo Laviaguerre, em conversa com dirigentes gremistas declarou:

“Lá em Uruguaiana tem um goleiro que, quando ele joga, o seu team não perde!”

Eram tempos de futebol amador (a colocação tem por finalidade definir que não ainda havia futebol profissional, ou seja, jogava-se pelo “amor” ao esporte, e não tem o sentido depreciativo tão comumente usado nos dias atuais, como que se somente os profissionais são competentes, muito pelo contrário! Mas voltemos ao Lara…).

Eurico Lara começou no futebol em função de sua atividade profissional, a carreira militar. Era destaque, como vimos, atuando pelo “time do quartel”. A missão de trazer Lara para o Grêmio foi entregue a Luiz Assumpção, mas feito o convite, Lara declinou, deixando clara sua intenção de não sair de Uruguaiana. A direção gremista precisou, então, “mexer os pauzinhos” e “providenciar” sua transferência para uma unidade do exército na capital gaúcha. Transferido, ele acabou aceitando jogar pelo Grêmio e seguiu sua carreira militar chegando ao posto de tenente e tendo participação, inclusive, na Revolução de 1930. Lara foi integrado ao esquadrão tricolor em 1920, aos 23 anos de idade.

Foi uma trajetória de extremo sucesso. Pelo Grêmio, atuou durante 16 temporadas e conquistou 16 títulos. Pela Seleção do Exército, em 1922, venceu o Campeonato das Forças Armadas. Ganhou reputação no centro do País ao integrar a Seleção Gaúcha no Torneio Preparatório que definiria os atletas que formariam a Seleção Brasileira para o Campeonato Sul-Americano. Conta-se que, literalmente, Lara “fechou o gol” numa partida realizada no Parque Antártica contra a Seleção Paulista. A vitória dos paulistas por 4 x 2 não impediu que, ao término do match, o gramado fosse invadido e Lara ovacionado pela multidão. Teria defendido mais de vinte arremates desferidos por Friedereich, o maior atacante brasileiro na época. Surpreendentemente, apesar de sua brilhante atuação, o goleiro gremista jamais foi convocado para a Seleção Brasileira (o que, cá entre nós, não tem problema algum e, talvez, tenha sido melhor assim…). Da sua chegada, em 1920, até sua última atuação, em 1935, Eurico Lara só esteve afastado do Grêmio por um breve período, em 1928, quando fez alguns jogos pelo Fuss Ball Club Porto Alegre.

A LENDA

Diz a lenda que Lara estava hospitalizado, mas teria sido autorizado a assistir a um Grenal decisivo. O empate dá o título ao Grêmio. Com o jogo já no final, o empate em 0 x 0 persiste. Então, inesperadamente, o juiz assinala um pênalti contra o Tricolor. A torcida gremista gela e Lara levanta-se do meio dela, entra no vestiário, coloca o uniforme, calça as botinas e encaminha-se para a meta sob o aplauso que vêm do “pavilhão”. O atacante, nervoso com a presença do grande goalkeeper sob as traves, respira fundo e bate violentamente na bola. Lara cai para o lado e a “encaixa” com firmeza. Seus companheiros correm para abraçá-lo, mas ao aproximarem-se, percebem que ele permanece imóvel, ainda abraçado à bola. Lara teria morrido após defender esse pênalti e garantido ao Grêmio o título de Campeão Metropolitano de 1935, denominado Campeonato Farroupilha, em homenagem aos 100 anos da Guerra dos Farrapos.

Os fatos que envolveram Lara naquele evento assumiram, com o tempo, dimensões épicas por conta do imaginário popular. Mas a lenda é aceita como verdade por muitos gremistas até hoje, mais como espécie de tributo ao maior de todos os goleiros…

A HISTÓRIA

De fato, Eurico Lara participou do Grenal que decidiu o Campeonato Metropolitano de 1935. A história nos conta que, alguns dias antes, porém, o Grêmio realizou um jogo contra o Santos e venceu por 3 a 2. Durante a partida, o santista Mário Seixas chocou-se com Lara. Foi tão grave a lesão, que Lara foi conduzido imediatamente para o hospital e lá se descobriu um problema cardíaco, além de outras enfermidades pulmonares que minavam seu enorme corpo, então com 37 anos de idade. O Grenal decisivo do Campeonato Farroupilha dava a vantagem do empate ao adversário. Por tudo isso, os torcedores amargos já consideravam seu time campeão.

Pouco antes do jogo, Lara continuava acamado e com poucas chances de participar do confronto. “No momento da escalação, porém, ele mesmo pediu para jogar, o que ocorreu nos primeiros 45 minutos, com grande esforço. Fez prodígios para evitar a queda de sua cidadela. Mas defender não bastava. O empate só favorecia o adversário, que lutava leoninamente para manter sua posição na tabela. E o primeiro tempo terminou em 0 x 0”, revela a Revista do Grêmio.

No intervalo, Lara não mais agüentou e pediu para ser substituído e Chico entrou em seu lugar. O placar manteve-se inalterado até os 40 minutos, quando o juiz assinalou uma falta na intermediária do adversário que, a esta altura, estava todo encolhido na defesa. Oswaldo Rolla, o “Foguinho” pediu que Mascarenhas cobrasse a falta e a defesa deu rebote nos pés de Foguinho que estufou as redes: Grêmio 1 a 0. O jogo estava no fim e os amargos, desesperados, deram nova saída. Foguinho recuperou a bola e avançou em direção à meta defendida pelo goleiro Penha que sai esbaforido. Foguinho serviu Laci e ele entrou com bola e tudo, marcando o segundo gol gremista.

Naquele dia 22 de setembro de 1935, Lara deixou o vestiário da Baixada direto para a Beneficência Portuguesa. Saiu do hospital para entrar para a história. Morreu no dia 6 de novembro de 1935. A bola que Eurico Lara tão bravamente defendeu naquele jogo épico, repousa hoje em meio aos incontáveis troféus conquistados pelo Tricolor ao longo de mais de um século, assim como o troféu do Campeonato Farroupilha, o último título conquistado por Eurico Lara…

O mítico e lendário Eurico Lara foi eternizado no hino do Grêmio pelo poeta e compositor Lupicínio Rodrigues. Ele o compôs para as comemorações do Cinqüentenário gremista e acabou tornando-se o Hino Oficial do clube. Assim, Eurico Lara é, até hoje, o único jogador a ser homenageado na letra do hino do clube pelo qual jogou. Diz a estrofe do Hino do Grêmio que homenageia Lara:

“Lara o craque imortal
Soube o teu nome elevar.
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar.”

É do primeiro verso, quando Lupicínio adjetiva Lara como “o craque imortal”, que advém a mística da “imortalidade tricolor”, tão decantada, face às façanhas que o Grêmio realizou ao longo de sua vitoriosa trajetória.

Lara, em sua brilhante passagem pelo Grêmio, conquistou os Campeonatos Metropolitanos de 1920, 21, 22, 23, 25, 26, 30, 31, 32, 33 e 1935. Foi Campeão Gaúcho nos anos de 1921, 22, 26, 31 e 1932.

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Esse texto faz parta da coluna GOALKEEPRS – MURALHAS DA AZENHA de Nelson Ramão.

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Goalkeepers 2 – Muralhas da Azenha

Publicado em 01/ago/2009 por .
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Coluna do NELSON RAMÃO

O mundo do futebol é cercado de chavões. Um deles diz que “um grande time começa por um grande goleiro”. No futebol moderno dá-se ênfase, no entanto, aos volantes, meias e atacantes, principalmente. Na atualidade, fala-se muito em laterais ou alas. No entanto, ele, o goleiro, continua sendo o único que, se falhar, será crucificado. Atacantes falham, zagueiros falham, meias falham e passam batidos. Mas se o goleiro falhar… O goleiro é o último baluarte da equipe. Um solitário defensor que, uma vez batido, resultará em prejuízo para a equipe. Às vezes um prejuízo irrecuperável. Talvez, daí, minha idolatria pelo goalkeeper, como se dizia antigamente. Tão discriminada era a posição, que ainda me lembro de que, quando moleque, aquele menos habilidoso com a bola nos pés, acabava no gol… Goleiro, que se dizia ser uma posição tão maldita que nem grama nascia onde ele pisava… Mesmo assim, a meu ver, a posição de goleiro é cercada de magia. É o goleiro que vira herói e muitas vezes, ao fazer uma defesa difícil, garante uma vitória e é festejado como se a equipe marcasse um gol.

O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense tem, em sua história, a marca indelével de grandes goleiros. O maior deles, inclusive, está no hino. Eurico Lara, mais do que um goalkeeper, foi um herói e, justificadamente foi eternizado pelo mestre Lupicínio Rodrigues.

Esta coluna, “Goalkeeper 2 – Muralhas da Azenha”, no entanto, trata dos goleiros que fizeram a história do Grêmio, sim, mas a história do Grêmio no Olímpico. Aqui estarão os principais goleiros gremistas a partir de 1954, quando a casa do Grêmio mudou para a Azenha. Alguns deles, mais do que meros coadjuvantes, foram verdadeiros magos sob as traves. Verdadeiras muralhas, quase que intransponíveis. Outros, porém, embora fossem bons guarda-metas, tiveram o azar de atuarem nos momentos em que parecia que nada dava certo para o time. São histórias de sucesso, todas elas… Mesmo para aqueles que não tiveram a felicidade de levantar títulos. Afinal, fizeram o melhor por um dos maiores e mais vencedores clubes do Brasil e do mundo. Ao goalkeeper gremista, o herói solitário, nossa homenagem e nosso reconhecimento.

Homenagem ao maior de todos os goleiros.

EURICO LARA
eurico lara Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha


As Muralhas da Azenha

SERGIO MOACIR-1947-56
sergio moacir torres nunes1 Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha
RUBEN GERMINARO-1957-59
germinaro goleiro gremio Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha
SULI MACHADO-1959-60
suli goleiro mini Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha
IRNO LUBKE-1961-62
Irno Lubke1 Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha
HENRIQUE-1959-63
06 Henrique 220x300 Goalkeepers 2   Muralhas da Azenha

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