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Eurico Lara – O craque imortal

Publicado em 17/set/2009 por Charles Hansen.
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Eis que sou surpreendido ao chegar no meu lar por um sedex de Nelson Ramão. No seu interior três exemplares de um ensaio do  livreto denominado EURICO LARA – O CRAQUE IMORTAL.

Que grata surpresa. Nelson – grande amigo e colunista deste blog – está pondo em prática o sonho de escrever livros sobre nosso clube e nossos ídolos.    Parabéns tchê. O livreto é de uma leitura agradável – li num tapa – conta de forma pragmática a história do maior de todos os arqueiros.

Prefácio de Eurico Lara – O craque imortal.

eurico lara o craque imortal nelson luiz ramao 300x239 Eurico Lara   O craque imortalDentre os grandes ídolos que, ao longo da centenária história gremista, encantaram a torcida, um foi tão surpreendente que virou lenda. Seus feitos, atitudes, personalidade e desprendimento, tornaram-no um referencial do que seja o amor de um atleta pelo um clube onde atua. Amador, jamais alguém dirá que o fazia por um polpudo salário, algo que nunca conheceu.

Jogou futebol pelo amor que sentia pelo Grêmio. O mesmo amor que fez com que se afatasse do clube por um breve período para, depois, retornar com a mesma garra e determinação que fizeram dele o titular da cidadela gremista por 16 anos. Um recorde até hoje!

De forma simples e fartamente ilustrada, este volume relata a trajetória de Eurico Lara com a camisa do Grêmio. Fala de seus feitos e dos tributos a ele prestados após sua morte. Fala de um ídolo que encantou multidões e virou estrofe do Hino Oficial do Grêmio, pela genialidade de um torcedor tão especial quanto ele: o compositor Lupicinio Rodrigues. Fala de um goleiro que transpôs a vida, para eternizar-se na história.

Queres ganhar um livreto? Deixe uma mensagem neste post. Pedi para 3 unidades pro Nelson para que no dia 22 de setembro – aniversário do Campeonato Farroupilha e último jogo de Eurico Lara.

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Goalkeepers – Eurico Lara

Publicado em 03/ago/2009 por Charles Hansen.
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Coluna do NELSON RAMÃO

Eurico Lara

Nem todos os adjetivos que podem ser dados a um goleiro seriam suficientes para dimensionar e quantificar a importância de Eurico Lara para o Grêmio! Sua trajetória no Tricolor é um misto de história e ficção. E se o nome de um goleiro pudesse servir de sinônimo para o termo “goalkeeper”, esse nome seria Eurico Lara, sem dúvida…

Eurico Lara nasceu em 24 de janeiro de 1897, em Urugaiana, às margens do Rio Uruguai. Conta-se que, certa feita, Máximo Laviaguerre, em conversa com dirigentes gremistas declarou:

“Lá em Uruguaiana tem um goleiro que, quando ele joga, o seu team não perde!”

Eram tempos de futebol amador (a colocação tem por finalidade definir que não ainda havia futebol profissional, ou seja, jogava-se pelo “amor” ao esporte, e não tem o sentido depreciativo tão comumente usado nos dias atuais, como que se somente os profissionais são competentes, muito pelo contrário! Mas voltemos ao Lara…).

Eurico Lara começou no futebol em função de sua atividade profissional, a carreira militar. Era destaque, como vimos, atuando pelo “time do quartel”. A missão de trazer Lara para o Grêmio foi entregue a Luiz Assumpção, mas feito o convite, Lara declinou, deixando clara sua intenção de não sair de Uruguaiana. A direção gremista precisou, então, “mexer os pauzinhos” e “providenciar” sua transferência para uma unidade do exército na capital gaúcha. Transferido, ele acabou aceitando jogar pelo Grêmio e seguiu sua carreira militar chegando ao posto de tenente e tendo participação, inclusive, na Revolução de 1930. Lara foi integrado ao esquadrão tricolor em 1920, aos 23 anos de idade.

Foi uma trajetória de extremo sucesso. Pelo Grêmio, atuou durante 16 temporadas e conquistou 16 títulos. Pela Seleção do Exército, em 1922, venceu o Campeonato das Forças Armadas. Ganhou reputação no centro do País ao integrar a Seleção Gaúcha no Torneio Preparatório que definiria os atletas que formariam a Seleção Brasileira para o Campeonato Sul-Americano. Conta-se que, literalmente, Lara “fechou o gol” numa partida realizada no Parque Antártica contra a Seleção Paulista. A vitória dos paulistas por 4 x 2 não impediu que, ao término do match, o gramado fosse invadido e Lara ovacionado pela multidão. Teria defendido mais de vinte arremates desferidos por Friedereich, o maior atacante brasileiro na época. Surpreendentemente, apesar de sua brilhante atuação, o goleiro gremista jamais foi convocado para a Seleção Brasileira (o que, cá entre nós, não tem problema algum e, talvez, tenha sido melhor assim…). Da sua chegada, em 1920, até sua última atuação, em 1935, Eurico Lara só esteve afastado do Grêmio por um breve período, em 1928, quando fez alguns jogos pelo Fuss Ball Club Porto Alegre.

A LENDA

Diz a lenda que Lara estava hospitalizado, mas teria sido autorizado a assistir a um Grenal decisivo. O empate dá o título ao Grêmio. Com o jogo já no final, o empate em 0 x 0 persiste. Então, inesperadamente, o juiz assinala um pênalti contra o Tricolor. A torcida gremista gela e Lara levanta-se do meio dela, entra no vestiário, coloca o uniforme, calça as botinas e encaminha-se para a meta sob o aplauso que vêm do “pavilhão”. O atacante, nervoso com a presença do grande goalkeeper sob as traves, respira fundo e bate violentamente na bola. Lara cai para o lado e a “encaixa” com firmeza. Seus companheiros correm para abraçá-lo, mas ao aproximarem-se, percebem que ele permanece imóvel, ainda abraçado à bola. Lara teria morrido após defender esse pênalti e garantido ao Grêmio o título de Campeão Metropolitano de 1935, denominado Campeonato Farroupilha, em homenagem aos 100 anos da Guerra dos Farrapos.

Os fatos que envolveram Lara naquele evento assumiram, com o tempo, dimensões épicas por conta do imaginário popular. Mas a lenda é aceita como verdade por muitos gremistas até hoje, mais como espécie de tributo ao maior de todos os goleiros…

A HISTÓRIA

De fato, Eurico Lara participou do Grenal que decidiu o Campeonato Metropolitano de 1935. A história nos conta que, alguns dias antes, porém, o Grêmio realizou um jogo contra o Santos e venceu por 3 a 2. Durante a partida, o santista Mário Seixas chocou-se com Lara. Foi tão grave a lesão, que Lara foi conduzido imediatamente para o hospital e lá se descobriu um problema cardíaco, além de outras enfermidades pulmonares que minavam seu enorme corpo, então com 37 anos de idade. O Grenal decisivo do Campeonato Farroupilha dava a vantagem do empate ao adversário. Por tudo isso, os torcedores amargos já consideravam seu time campeão.

Pouco antes do jogo, Lara continuava acamado e com poucas chances de participar do confronto. “No momento da escalação, porém, ele mesmo pediu para jogar, o que ocorreu nos primeiros 45 minutos, com grande esforço. Fez prodígios para evitar a queda de sua cidadela. Mas defender não bastava. O empate só favorecia o adversário, que lutava leoninamente para manter sua posição na tabela. E o primeiro tempo terminou em 0 x 0”, revela a Revista do Grêmio.

No intervalo, Lara não mais agüentou e pediu para ser substituído e Chico entrou em seu lugar. O placar manteve-se inalterado até os 40 minutos, quando o juiz assinalou uma falta na intermediária do adversário que, a esta altura, estava todo encolhido na defesa. Oswaldo Rolla, o “Foguinho” pediu que Mascarenhas cobrasse a falta e a defesa deu rebote nos pés de Foguinho que estufou as redes: Grêmio 1 a 0. O jogo estava no fim e os amargos, desesperados, deram nova saída. Foguinho recuperou a bola e avançou em direção à meta defendida pelo goleiro Penha que sai esbaforido. Foguinho serviu Laci e ele entrou com bola e tudo, marcando o segundo gol gremista.

Naquele dia 22 de setembro de 1935, Lara deixou o vestiário da Baixada direto para a Beneficência Portuguesa. Saiu do hospital para entrar para a história. Morreu no dia 6 de novembro de 1935. A bola que Eurico Lara tão bravamente defendeu naquele jogo épico, repousa hoje em meio aos incontáveis troféus conquistados pelo Tricolor ao longo de mais de um século, assim como o troféu do Campeonato Farroupilha, o último título conquistado por Eurico Lara…

O mítico e lendário Eurico Lara foi eternizado no hino do Grêmio pelo poeta e compositor Lupicínio Rodrigues. Ele o compôs para as comemorações do Cinqüentenário gremista e acabou tornando-se o Hino Oficial do clube. Assim, Eurico Lara é, até hoje, o único jogador a ser homenageado na letra do hino do clube pelo qual jogou. Diz a estrofe do Hino do Grêmio que homenageia Lara:

“Lara o craque imortal
Soube o teu nome elevar.
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar.”

É do primeiro verso, quando Lupicínio adjetiva Lara como “o craque imortal”, que advém a mística da “imortalidade tricolor”, tão decantada, face às façanhas que o Grêmio realizou ao longo de sua vitoriosa trajetória.

Lara, em sua brilhante passagem pelo Grêmio, conquistou os Campeonatos Metropolitanos de 1920, 21, 22, 23, 25, 26, 30, 31, 32, 33 e 1935. Foi Campeão Gaúcho nos anos de 1921, 22, 26, 31 e 1932.

…….

Esse texto faz parta da coluna GOALKEEPRS -- MURALHAS DA AZENHA de Nelson Ramão.

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Imortal Eurico Lara

Publicado em 06/nov/2007 por Charles Hansen.
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No momento em que rogamos mais uma vez por nossa imortalidade, nada mais justo que prestar homenagem ao mais imortal de todos. Hoje, 6/11 faz 72 anos que nosso lendário goleiro acordou para o tempo, para a eternidade. O único atleta da história do futebol brasileiro (não duvido que mundial) a ser imortalizado no hino do clube em que jogou.

Obrigado Lara pelo campeonato Farroupilha 1935.
Obrigado Lara por ser a referência para formadora escola gremista de goleiros.
E que do infinito tu abençoe nosso clube neste árduo final de campanha.

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