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Entrevista com Humberto Gessinger

Gessinger, baita gremista!

Tivestes uma bela sacada ao relacionar a nossa capital com o Imortal em Anoiteceu em Porto Alegre . Tem tudo a ver (não fosse aquele beira de um rio que nunca existiu…rsrs). A música não canta somente a cidade que o Grêmio leva no nome. Ela eterniza duas de nossas grandes conquistas – a América e o Mundo. Realmente noites que não tiveram fim. Todos acreditaram e, há 25 anos, nossa primeira Libertadores aconteceu, em Porto Alegre. Não só a final contra o Peñarol, mas toda a trajetória que levou ao título. Jogos memoráveis no Olímpico…já se passaram 25 anos, mas a conquista e tudo o que representa aquele feito, continuam muito vivos para todos nós.

Nós do site Gremio Copero agradecemos por representares tão bem o nosso Glorioso Tricolor pelas tuas andanças.

Bom, mas vamos ao que também interessa:

Aline - Gessinger, na trajetória do Engenheiros especialmente longe do pago, sempre fostes como um embaixador das causas imortais, escancarando tua paixão no palco e até nas músicas. Quanto dessa postura é deliberadamente provocadora? Quais as distintas reações do público?

Gessinger - Acho que na época do Felipão o ruído era maior, principalmente em São Paulo. Hoje, grande parte do estranhamento virou admiração. É impressionante o número de camisas do Grêmio que pintam nos shows fora do RS. Antes era mais no oeste catarinense e interior do Paraná.

Agora é Brasil inteiro. E já dá pra sentir influência do jeito gremista de ser em vários outros clubes.

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Aline - Nós do gremiocopero consideramos o estilo de jogo do Grêmio futebol-rugbier. Que opinas dessa definição e do nosso tradicional estilo de jogo?

Gessinger - Sempre achei isso. Mas acho que a gente tem que ter mais “manha” na comunicação. Sempre que falo sobre o Grêmio, tento não ser provocador para não dar força ao preconceito de time e torcida violentos. Eles acabam colando isso na gente depois usam pra nos prejudicar.

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Aline - Em 1997 concedestes uma entrevista ao Canal do Grêmio onde falas que depois de morar um tempo no RJ, ficastes mais gremista e, também, menos anticolorado. Tu acreditas mesmo que a maior rivalidade do país permite, ainda que por uma causa bairrista, quase provinciana, que isto seja possível?

Gessinger - No Rio, fosse Grêmio ou Inter que perdesse, eu sempre levava flauta pois era o único gaucho. Um dia o porteiro do meu prédio ficou se deitando por que o Figueirense tinha perdido! Para ele, Rio Grande do Sul ou Santa Catarina, era tudo a mesma coisa. Mas devo confessar que depois que voltei a morar em PoA, esta elegância aos poucos foi se perdendo e a secação voltou.

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Aline – Após a Batalha dos Aflitos dissestes que ’ser gremista é acreditar que dá’. Partindo desta afirmação, acreditas, então, que o Tri do Brasileiro está próximo. Fale sobre esta certeza.

Gessinger - Acho que sim. Como sempre, vai ser mais difícil do que seria necessário, mas vai dar.

E será um título importantíssimo pela fórmula do campeonato, que dizem não favorecer um time como o nosso. Tão importante quanto o primeiro campeonato brasileiro, que nos colocou em outro patamar.

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Aline - No teu livro “Meu Pequeno Gremista”, destinado a gurisada, defendes o Grêmio como o time pelo qual se deve torcer. Agora fala pros leitores adultos do gremiocopero porque a história do tricolor dos pampas se confunde com a do Humberto Gessinger.

Gessinger - Eu até fujo um pouco do padrão do típico torcedor gremista. Tô sempre com um pé atrás, talvez por ter crescido numa época de vacas não muito gordas, os anos 70. Sou um cara introspectivo. Nunca gostei muito de animar torcida ou bater boca com colorado. Mas o Grêmio me acompanha a vida inteira, às vezes no sol da arquibancada, às vezes pelo radinho no escuro do quarto, pela internet nas viagens com a banda. Poucas coisas na nossa vida são tão estáveis e constantes quanto o “gremismo”.

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Aline - Se tu pudesses transformar o Grêmio em uma música do Engenheiros, qual seria? Porquê? Só não vale “anoiteceu em porto alegre” :)

Gessinger - Neste Brasileirão, ficaria com ATÉ O FIM ” : não vim até aqui pra desitir agora!!!

Muito obrigado. Aline Cardias.

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Entrevista com Eduardo “Peninha” Bueno

Antes de começarmos, gostaria de dizer que te conheci pessoalmente em Buenos Aires quanto te cumprimentei aos gritos de “não somos brasilianos” espremidos os dois pela massa tricolor na fila de entrada pra Bombonera, final da Copa Libertadores. Aliás, ela fede a mijo e “La 12″ é mitopoieze de 2º categoria.

Peninha, o gremiocopero.com tem uma enorme influência nas tuas idéias e convicções sobre o Grêmio e o futebol.   Somos muito gratos (eu e Charles). Muito Obrigado.

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Devaneio/Questão 1 (Leonardo)
O senhor concorda conosco quando afirmamos que o futebol do Grêmio é rugbier?

Peninha: “- Ah, o senhor concorda inteiramente. Doble concorda, aliás. E olha que o senhor aqui não é dos mais concordadores… A não ser, claro, quando depara com questões tão bem colocadas e verdades lapidares como essa. Como leram meu livro, vocês sabem que eu, particularmente, acho que o Grêmio deveria praticar o pok-tai-pok, o ancestral do futebol, jogado por maias e astecas,  e no qual o que rolava, além da bola, era a cabeça dos vencidos…. Mas como os tempos mudaram, sejamos condescentes: o futebol rugbier do Grêmio já nos enche de alegria… Que o digam aqueles três dentes e a cara quebrada do tal Alex Mineiro e a voadora do Eduardo Costa no tal Clayton - e essa, pra melhorar, ainda dada pelas costas e fora de campo. Dá-lhe, tricolor!”

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Devaneio/Questão 2 (Leonardo)
O senhor conhece os Brummer?  Aqueles mercenários alemães que vieram ao sul do país contratados pelo império, 1851, para “cagar a pau”,  junto aos gaúchos, Oribe e Rosas e suas intenções de unificar Uruguai e Argentina.

Na sua teoria o Grêmio é cisplatino, uruguaio, mas seria errado presumir que somos descendentes destes Brummers que se instalaram no RS. E que, por tanto, já buscamos a libertação da América antes e depois de esta ser totalmente liberta em 83?   E, ainda que seja errado presumir isso, espalhar essa idéia seria ruim?

Peninha: “- Há um pequeno erro de digitação logo na primeira frase da pergunta. Tenho certeza de que Leonardo quis colocar um ponto de exclamação ao final da frase “Senhor Bueno, o senhor conhece os Brummer”, pois homem inteligente, e temente a Deus, como é, CERTAMENTE não ousaria me PERGUNTAR isso. ..Portanto, SEI que Leonardo estava  fazendo uma afirmação e não um questionamento… Isso posto, e dado o fato de o resto da questão ter sido, novamente, de alto brilho e gabarito, vou relevar o deslize… É EVIDENTE que conheço os Brummer - quase pessoalmente, aliás…. Mas, de fato, me sinto agora no limite da vergonha pelo fato de não tê-los mencionado naquela minha obra-prima espetaculosa e genial, “Grêmio: Nada pode ser maior”. Mas vou preparar uma reedição do livro - e incluir nela o edificante episódio da vinda daqueles mercenários alemães à extremadura da nação, pra cobrir os inimigos de porrada.  De todo modo, você há de convir: louvei as origens germânicas do Grêmio no livro, mesmo tendo me olvidado dos grandes Brummer, nossos guerreiros germanos.”

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Devaneio/Questão 3 (Leonardo)
Seria o nosso 10 o camisa 5? Desenvolva, por favor, umas poucas linhas sobre essa abençoada posição ‘volante de contenção’.

Peninha: “- Ora, ora, caro Leonardo, já o fiz, já o fiz, em minhas mal traçadas linhas no livro. Vou repeti-las: “O volante de contenção é, indiscutivelmente, o astro-maior, a grande vedete (ops, vedete não - vedetes praticam futebol-bailarino), a peça-chave,  o rei, a torre e, sobretudo, o cavalo no grande xadrez que  constitui os duelos tático-técnicos do autêntico futebol”. Não tenho mais nada a acrescentar à tão memorável frase… Aliás, ela deveria ser esculpida em bronze!”

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Devaneio/Questão 4 (Charles)
Em 1903 os irlandeses cor de erva-mate decidiram celebrar o dia de São Patricio.  Nós, do GremioCopero, entendemos que Patricio não é santo coisíssima nenhuma e decidimos acabar com esse absurdo de uma vez por todas.   A partir de agora e de forma irrevogável o Santo a ser celebrado é Portaluppi, as cores são três, e o dia é outro, 11-12-1983!    Qual a opinião do Senhor? Também és devoto deste santo?

Peninha: “- Cara, sério! Que idéia genial a de vocês. Além de eu mesmo, por motivos óbvios e devocionais, ter adorado, pude comprovar o impacto da camiseta não apenas no próprio Renato, que ficou com os olhos cheios d´água - apesar de ser espada -, como na gentalha da imprensa carioca, que estava lá, nas Laranjeiras, entrevistando ele no dia em que fui encontrá-lo pruma entrevista sobre a Libertadores de 1983, conquista sobre a qual acabo de escrever um livro. Todo mundo PIROU com a camiseta. E ele pediu que vocês mandassem para ele. Desde aquela vez já avisei o Charles. E então, mandaram? Lembrem-se, o cara é um SANTO demoníaco - e é gremistão. Parabéns de novo! A camiseta é linda - além de totalmente verdadeira!”

Charles com os blues brothers: Eduardo Bueno e Fernando Bueno

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Devaneio/Questão 5 (Charles)
Em seu livro “Grêmio: nada pode ser maior o senhor” o Senhor decorre com maestria a irretocável trajetória tricolor ao longo de seu primeiro século.
Mas agora, com olhar projetado para o futuro, como entendes que será contada a história do Grêmio neste segundo século?  E dentro deste contexto, qual a contribuição de Peninha e como ele será lembrado dentro desta história?

Peninha: “- O Grêmio vai continuar sendo no segundo milênio o mesmo que foi no primeiro e será no terceiro: o IMORTAL TRICOLOR! Está lá naquela maravilhosa faixa estendida nas marquizes da Geral: JAMAIS NOS MATARÃO!. O início do segundo milênio vai ser lembrado como o período em que o Grêmio venceu aquela partida inacreditável nos Aflitos e saiu de lá quase que direto para a final da Libertadores, na qual fomos surrupiados pelo Meia Boca (embora eu até goste dele, preciso confessar…). Essa aurora da nova era será lembrada também pelo fato de termos conquistado o campeonato brasileiro de 2008 com Marcel  e Paulo Sérgio em campo e Celso Roth no banco! Isso é mais que proeza, isso é pura magia tricolor! É um feito, uma façanha. Ganhar com time bom, qualquer um ganha - quero ver é ganhar com o Anderson Pico! Quanto a mim, gostaria de ser lembrado apenas como um gremista fiel e devotado, e … coveiro de alvi-rubro. Mas enquanto puder, vou continuar escrevendo livros sobre o Grêmio. Pretendo, algum dia, inclusive, fazer um livraço sobre a história do Grêmio, tipo sério, completo e detalhista. Mas, é claro, repleto de fervor e paixão, pois os que já existem, nesses moldes, são meio enfadonhos, pelo menos na minha opinião. E tem até um que foi escrito por um cocolorado (e eu que nem sabia que eles sabiam escrever… )Dá-lhe, tricolor, Dá-lhe, dá-lhe, tricolor!!!!”

Gracias Peninha, e parabéns pelo brilhantismo nas palavras e por personificar tão bem o espírito do gremista.

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Espinosa - A grande entrevista

Mal conseguindo conter sua alegria, uma grande amiga me conta: “Charles, entrevistei o Espinosa”. Aline Cardias, da assessoria de imprensa do Grêmio, me contou o quão agradável foi aquela quente tarde de quinta-feira na companhia do eterno treinador.

Valdir Espinosa (e familia) visitando o Estádio OlímpicoAlguns anos sem visitar a Azenha, Espinosa trouxe seu neto (gremista) para conhecer o Estádio Olímpico. Tenho certeza que o jovem deve ter ficado encatandíssimo ao visitar o museu do clube e dar-se por conta do quanto é importante esse homem para a história do nosso clube e nossa torcida.

Deve ter sido ímpar aquela tarde saudosismo, emoções e juras de amor. É alento para meu gremismo ouvir um trechinho da entrevista que está no site do Grêmio.net. De arrepiar o “eu sou grêmio, eu sou grêmio”. Escute: http://www.gremio.net/upload/media/news/espinosa.mp3

Eu quero um vê-lo treinandor novamente do imortal. Mas numa situação de início de temporada e com um plantel estabelecido. Não como deste remonte que estamos passando. Espinosa merece um ambiente favorável. Enquanto esse dia não chega, imagino o quão lindo será o próximo reencontro, seja na arquibancada ou na casa-mata adversária escutando a geral pulsando seu nome.

E parabéns Aline. Tenho certeza que essa será uma das importantes entrevistas da tua carreira. E tenho que confessar, eu fiquei com uma saudável inveja de ti.

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