Caminhando em brasas
Deixaram chegar no limite. Quando parte de torcedores – o que deveria partir do vestiário – a iniciativa de uma cobrança mais forte, enérgica é porque a coisa ta degringolando. Não sei até que ponto este tipo de manifestação – não considero como uma invasão porque foi permitido o acesso desses ao espaço restrito – possa dar resultado. Talvez tenham sido motivados pelo episódio semelhante do ano passado, quando chegaram junto e o Tricolor conseguiu reverter uma desvantagem para o Caxias, na semifinal do gauchão.
Mas considero legítimo o descontentamento da torcida. Também estou descontente, indignada e perplexa com a acomodação. E da mesma forma que o Sr. Celso Juarez Roth não gostou da “cobrança”, me sinto no direito de também não gostar de ver o Grêmio perder a liderança e ,agora, correr o risco de ficar fora até da Libertadores. Não gostei de ver o Grêmio perder a vantagem de 12 pontos que tinha para o 4º colocado. Não gostei das invencionices do treinador que, por muitas vezes, nos empurraram a resultados desastrosos. Não gostei de tomar 4 do Inter, 3 do Cruzeiro, de perder para a fraca Lusa, empatar com o Figuera em casa. Não gostei da falta de convicção e coerência que culminaram em escalações e formações estapafúrdias. Assim como não gostei de acreditar durante boa parte do campeonato no título e ter que agora ouvir um discursinho derrotista de que está sendo feito o melhor trabalho.
Mas talvez Roth prefira caminhar sobre brasas, como a ação motivacional promovida pelo renomado psiquiatra Roberto Shinyashiki, em 99, quando da sua primeira passagem pelo vestiário gremista. E não é que chamaram o cara novamente?! Aí me pergunto qual deverá ter sido a ação desta vez? Tiro ao alvo, arremesso de facas, círculo de fogo…
Nem vou me ater ao assunto motivação. É um absurdo. Penso exatamente o que escreveu o Charles no post abaixo.
E respondendo a Roth que “queria saber o que eles fizeram quando o Grêmio estava em uma situação pior (…)”, eu respondo: quando estávamos em uma situação pior, senhor Roth, a torcida abraçou o clube e o time como nunca. Carregou o Tricolor nos braços na série B. Esteve ao lado o tempo todo, incentivou, lotou estádio, se associou em massa. Apoio nunca faltou e nunca faltará, independente de quem esteja na casamata.
Era o momento do Roth trazer o torcedor para perto dele, mostrar que deixou seu retrospecto como treinador para trás e entrar para a história do Tricolor.
A gente não pede muito, queremos apenas ver aquele Grêmio da raça, da luta, da vibração e da superação, em campo novamente.
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