Football Without Millions – clubes de bairro.
Publicado em 09/jun/2011 por Leonardo Fleck.
Tags: barra-brava, buenos aires, clubes de bairro, hooligan, violencia
Escrevi, a pedido do chapa Adriano Snel, o texto que segue sobre os clubes de bairro da capital Argentina, Buenos Aires. O texto foi publicado orginalmente na edição número 3 da revista que o amigo co-edita. Reproduzo-o aqui como pequena homenagem ao último carrasco do SC2006, Alejandro Martinuccio.
Football Without Millions, clubes de bairro.
Paixões clubísticas despertam rivalidades e pra que sejam paixões verdadeiras, necessitam rivalizar.
A cidade de Buenos Aires abriga mais de 20 agremiações profissionais de futebol e esse não é um dado menor quando se evoca rivalidades. São clubes disputando em todas as divisões, oferecendo anedotas e rivalidade para todos os paladares. O super-clássico, os grandes clássicos e os clássicos de bairro. Desde os tempos em que o futebol não era uma máquina de gerar dinheiro e ídolos multimidiáticos dispostos a decepcionar o clube do coração por uma oferta superior, os clubes de bairro estavam lá e lá sempre estarão, não tão sólidos como a rocha, mas eternos como o vento.
A história conta que se originaram no começo do século XX, fundados por imigrantes e descendentes, muitos, como homenagem, receberam no batizado o nome do pedaço de chão que os acolheu. Club Almagro e San Lorenzo de Almagro, bairro de Almagro, Boca Juniors, bairro de La Boca, Defensores de Belgrano, bairro de Belgrano, San Telmo Football Club, bairro de San Telmo, Chacarita Juniors, bairro da Chacarita… a lista segue. Muitos outros não carregam o nome de seus bairros, mas a identificação e devoção para com as demarcações geográficas não diminui em nada sua relação com elas.
Com os clubes, naturalmente, nasceram posteriormente as clássicas rivalidades. Seus campos são acanhados, exprimidos entre casas e edifícios. Seus gramados são castigados pelo frio do inverno. O futebol que praticam é duro, viril, forjado na tradição de batalhas dos seus povos. Seus torcedores são fanáticos. Se os seguem na boa e na ruim, não é porque na boa é mais fácil e na ruim mais necessário, é porque o apego está no chão, vem do berço, justifica-se na história. O clube do pibe é o do pai, o do avô, é o clube da família, é o seu lugar no mundo. Em uma só palavra, fidelidade.
Na medida em que o futebol se profissionalizou, surgiram as categorias, cresceram os clubes, as rivalidades, o número de torcedores se expandiu para além dos limites do bairro, alguns tornaram-se grandes clubes nacionais tomando proporções que o pequeno bairro já não daria conta de suportar. Com o tempo exasperaram-se os ânimos, surgiram as barras-bravas (qualquer torcida que se considere respeitável, não importa o tamanho, têm sua barra-brava) e o que seguiu é, por um lado o que idealiza-se como futebol argentino – futebol aguerrido, por vezes violento, torcidas insandescidas pulsando atrás dos arcos em ambiente hostil cuja proximidade do alambrado e volume dos cânticos provoca arrepios – e por outro, o que podemos chamar de “a profissionalização das torcidas” e, em certo aspecto, da violência. O termo barra-brava surgiu na imprensa argentina em finais da década de 1950 e se estabeleceu como uma subcultura com códigos internos próprios.
São legendárias as torcidas argentinas e de conhecimento comum seu modus operandi visível: cânticos, trapos, bumbos, barras, papéis picados e bandeiras, objetivando festa bonita e pressão psicológica contra os times visitantes. Se em partidas entre eles o embate é vigoroso, imaginem pros estrangerios, verdadeiras batalhas campais foram travadas em seus campos enlameados, oferecendo ao futebol – o esporte – aquilo que ele deve ser. São históricas as confusões, as pancadarias, os quebra-quebras, os assassinatos. Há uma cultura estabelecida, é uma questão social reconhecida e há, inegavelmente, ausência das forças públicas na coibição do caos e na manutenção da ordem. Ninguém nega a beleza da festa, mas ninguém a manteria se a paz fosse selada em troca de seu sacrifício. Para nossa sorte a beleza da festa passa ao largo da violência, dedos apontados pro Estado, portanto.
Hoje, não há pai que não se questione duas vezes antes de levar um filho ao campo de futebol e pros amantes de um clube poucas coisas poderiam ser mais tristes. Quando a paixão futebolística se torna qualquer coisa que não o amor pelo clube, pelas cores, pela camiseta, algo está mal, perdeu-se o sentido primeiro, a essência.
Permitam-me um digressão necessária. A violência das torcidas pode ser erroneamente confundida como um elemento do futebol romântico, mas não passa, entretanto, de uma marca lamentável de um tempo que deveria ser passado. Inglaterra e Argentina são exemplos fundamentais nos assuntos relacionados à violência nas arquibancadas, por ações da primeira e inações da segunda.
A Inglaterra resolveu seu problema hooligan com duras sanções da UEFA e, principalmente, pelas duras e necessárias decisões da inquebrável dama de ferro Margareth Thatcher que assumiu a culpa inglesa na tragédia de Heysel em 1985 e organizou aquela maconha toda com culhões e convicção. A proibição da venda do álcool NÃO existe em estádios ingleses, diga-se, tampouco barreiras físicas entre arquibancada e campo. O peso da lei se faz sentir e respeitar.
A Argentina, na risível tentativa de resolver seu gravíssimo PROBLEMA barra-brava proibiu a venda de álcool nos estádios (entre outras medidas inócuas) e, diferentemente da Inglaterra, não enfrentou e não enfrenta as suas reais questões: a impunidade, as promíscuas relações das barras com dirigentes, sindicalistas e políticos em práticas mafiosas. Há poucos anos um torcedor do Vélez foi morto a bala nas imediações do estádio do San Lorenzo e o ministro da Justiça do desgoverno de Cristina Fernández de Kirchner declarou que isso não é um problema do futebol e que poderia haver ocorrido em uma ‘excursão de aposentados’ e que foi um ‘ato isolado’.
O que representa a violência nas arquibancadas argentinas e, o que é pior, fora dela, é um intrincado jogo de poder, status e dinheiro. Se o futebol fosse um mundo, a Argentina de hoje abrigaria dois universos dentro dela. Por um lado temos a primeira divisão, os grandes clubes, o horário nobre, o futebol de ascenso, os campos castigados, os estádios acanhados. Por outro lado temos as sombras que se projetam sobre o primeiro.
Fim da digressão.
O que mantém o futebol vivo na Argentina e em qualquer lugar do planeta é a paixão do torcedor. Não existiria clube sem torcida, não haveria demanda sem paixão. Os milhões tornam o futebol competitivo, atraente pros profissionais, viáveis a um mundo cada vez mais financeiro-dependente. É a roda do tempo a girar, não há nada a lamentar, nem páginas a retroceder, pois paixão não se compra e não se vende.
Não tão sólidos como a rocha, mas eternos como o vento. Football without millions, uma prática enterrada viva, ainda respirando.
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A gélida tarde de outono no Monumental reservou vitória para os 18 mil que se dirigiram para a cancha. Faça chuva, sol ou frio, nada como uma tarde de domingo no Olímpico para a vida fazer sentido. É nossa sina. Pisar nas velhas arquibancadas de concreto do quase sexagenário estádio é de prazer imensurável. É vida!
Mesmo que a bola jogada não tenha sido exuberante, foi suficiente para conquistar a vitória e os três pontos. Mesmo sabendo da fragilidade do adversário e de algumas deficiências da nossa escalação, o time foi muito bem obrigado em todos os setores. Zaga sólida, apoio pelas laterais, domínio da meia cancha e ataque converteu em gols. Se o Grêmio atrevesse a disparar mais chutes contra a meta do Bahia fatalmente o placar teria sido mais dilatado.
Para um time que foi em quase sua totalidade muito bem, destaque para a bola do Escudeiro, a maestria de Douglas, a onipresença do Rochemback. Nossa defesa composta pela juventude do El Loco Fernandes, Newton e Saimon funcionou muitíssimo bem.
Confesso sair satisfeito do Olímpico, mais com os três pontos que com o futebol apresentado. Mas pra vida fazer sentido, para semana começar bem e para o Grêmio ser campeão; VENCER É OBJETIVO ÚNICO NO BRASILEIRO!
PS1: Grêmio precisa chutar mais em gol.
PS2: Pouco se viu de Marquinhos. Vamos aguardar mais algumas partidas.
PS3: Falta muito para o retorno do Andre Lima? (acho que entenderam o recado.)
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Literalmente GANHO
Publicado em 29/mai/2011 por Charles Hansen.
Tags: 2011, campeonato brasileiro, victor, vitoria

(não hámuito o que ser dito.)
Três pontos mais do que necessários, e ponto final. Mesmo sendo adepto do jogar feio e vencer ou da goleada de 1 a 0 para gremista ver, hoje foi complicado. Grêmio jogaria até agora (momento que tu está lendo esse post) e não teria feito gols. Deficitário do meio pra frente, guerreiro e valoroso do meio pra trás.
Impecável o extra classe Victor. Baita goleiro. Lara em vida!
Agora, do momento que passamos a viver o Brasileiro onde temos futebol uma vez por semana, aguardamos ansiosos o próximo enfretamento no desejo pela evolução da equipe. Desta forma, e crendo nisso, espero fortemente que o Grêmio que receberá o Bahia seja muito mais efetivo que este que encerra a rodada “ganhando” três pontos.
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Enfim começam a chegar os reforços solicitados a tempo pela torcida. Miralles, Gilberto Silva, Gabriel (renovação) e outros estão por vir, estava na hora de dar mais uma carga de experiência no time, intercalar vivencia futebolística com juventude da certo na teoria. Falo em teoria porque em futebol nada é certo, para mim qualquer jogador é boa contratação desde que vista a camisa e jogue bem, já vimos jogadores considerados bons fazer papelões e consagrarmos jogadores ate então desconhecidos.
Sendo mais pontual, vendo alguns vídeos do Miralles nota-se que é jogador no lugar certo na hora certa, bola sempre vem ao seu encontro para marcar, tem raça e vontade. Gilberto Silva é jogador experiente, jogando ou não, contribui, tem imposição física e auxilia bem o setor defensivo, jogador que precisávamos para liberar mais nosso capita, estando bem fisicamente vai nos ajudar e muito, gostei bastante dessa contratação. Mas ainda falta nossa referencia na defesa, para mim muito primordial , um xerifao é necessário, passa confiança, acrescenta no aprendizado da gurizada.
Agora, é complicado termos sempre que formar rebeliões para reivindicar o obvio, nunca gostei de contratação para acalmar torcida, me soa política. Ups…
Pitacos do COB
- nomes de possíveis jogadores que vêem pela imprensa me parecem muito atraentes, porem muitos empresários plantam informações na imprensa para “passar bem”;
- Gilberto (ex-gremio, hoje no cruzeiro) não aparenta estar muito satisfeito onde esta, seria uma boa contratação para o Grêmio;
- e tu che, quem tu contrataria?
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Miopia diretiva.
Publicado em 22/mai/2011 por Charles Hansen.
Tags: 2011, antonio vicente martins, campeonato brasileiro, derrota, odone

Odone e Antonio Vicente Martins. Momento clama por contratações.
Contrariando desejos, se confirma a realidade. Dura. O Grêmio que perde para o Corinthians na estreia do Brasileiro não é diferente daquele frustrou na COPA e fracassou no regional. Em meio a partida de hoje fintei o reservado, como Portaluppi deve ter feito inúmeras vezes, e não encontrei soluções. Quem botar em campo? Com esse plantel meio da tabela será nosso destino.
A inconstância do coletivo e as carências de plantel são gritantes desde sempre. Era sabido que para corresponder as aspirações era necessária uma postura grandiosa desde o primeiro minuto de mandato: qualificar. O Grêmio de ODONE e ANTONIO VICENTE MARTINS é destoante dos seus discursos eleitorais. O futebol desta gestão fracassa, não age e mal reage. Lamento.
Todos sem exceção – treinador e torcedores – sabem das limitações deste elenco. Clamamos por reforços. Por que da demora? Por que? Ninguém consegue conceber, avaliando o que foi o Grêmio ao longo desta temporada, que as contratações não estejam entre aqueles que fardaram a tricolor neste domingo. Não é possível que o Grêmio não tenha estofo para efetivar as devidas contratações.
Odone, por onde estavas? Decepciona-me quando o presidente não se faz presente. Por outo lado, alivia-me não ouvir algo sobre Arena (importantíssima!), imortalidade e Batalha dos Aflitos. Discursos surrados que não agradam mais nenhum torcedor com o mínimo de capacidade cognitiva.
Desta gestão para os próximos dias espero somente: CONTRATAÇÕES DIGNAS DE GRÊMIO. Leia-se um NÃO sonoro para Lins, Clementinos, Viçosas, Gilsons e afins. Sinônimo de jogadores sem a qualidade requerida para vestir o manto tricolor.
PS1: Culpar o Renato é demasia.
PS2: Votei pelo Conselho que elegeu Odone. Portanto, votei no Odone.
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Envoltos em reflexões
Publicado em 18/mai/2011 por Charles Hansen.
Tags: década maldita, discurso, postura
Discurso surrado e vazio.
Reflexão, esse é o momento. Anderson Kegler, colaborador do blog, compartilhou a sua leitura sobre o momento, sobre os problemas vividos, sobre a realidade gremista. Em seu texto, que nos remete ao penso, cabe questionarmos a inversão dos valores que caracterizou essa máldita década.
Após alguma análise, percebi qual é o problema do GRÊMIO. Pelo menos o que, na minha opinião, desencadeia todos os outros.
O GRÊMIO vive um momento em que é dirigido por pessoas que vivem em função do TA (tradicional adversário). É isso!
Nos últimos anos somos representados no TRICOLOR por pessoas que tem como objetivo maior “tirar onda” com o “nal”, dar satisfação para um clube (ou para as pessoas) que surgiram em função do nosso. Trocaram de lugar na história. Até o letreiro no Olímpico agora é corneta? Ah façam o favor!
O que eu tenho com o t.a (tradicional adversário)? NADA, absolutamente nada. Não sei escalação, não sei das reformas, não sei nome de dirigente, não sei nome de torcida, não me interessa em nada. Só penso em “nal” quando tem GREnal.
Mas nos salões do GRÊMIO não… lá até em discurso de posse anda se falando neles. Isso virou um câncer!
O GRÊMIO existe por si só. Não dependeu de outro clube nem para nascer, muito menos para ser grande. Vivemos de nossa própria força. Essa conversa de “um precisa do outro” foi coisa criada pela “ymprenssa” vermelha. O GRÊMIO NÃO PRECISA DE NINGUÉM PARA SER O GRÊMIO!
Estamos a mais de 10 anos nessa fila de espera por títulos.
No GRÊMIO banalizaram até nossa imortalidade. Eu que tanto escrevi sobre essas coisas; sobre nossa mística, sobre nosso manto, agora fico constrangido de usar esses termos para não cair no ridículo.
Tudo no GRÊMIO hoje é em função de outrem.
Estão difamando a nossa história, as nossas lendas.
Acho que a vida é feita de ciclos. E quando um clube como o GRÊMIO passa a ser dirigido por pessoas que pensam mais nos outros que no próprio clube está na hora de mudar tudo.
Precisamos romper! Nos desligar dessas pessoas que eu chamo de “fãs da çellessão de 82”. São azarados, para dizer o mínimo.Precisamos buscar nossa cultura de volta, precisamos de pessoas que pensem somente no GRÊMIO. A questão do IMORTAL é institucional, está nas entranhas do clube. E para nos livrarmos disso é preciso romper com esse passado recente que nos prende a algo que nada tem a ver com o GRÊMIO.
Precisamos acordar e ver que enquanto não retirarmos do GRÊMIO esse discurso rançoso e derrotista nunca voltaremos a ser o que somos no nosso âmago.Somos o GRÊMIO, somos quem lidera, quem existe, quem cria, quem desbrava, o resto e que vem no reboque.
Podem dizer que estão brabos comigo, podem achar brechas no texto, podem me acusar de não ser “gremista verdadeiro” mas no fundo todos vocês sabem que eu tenho razão.
Não podemos permitir que nosso lugar de protagonistas da história seja ocupado por mais ninguém além de nós mesmos.
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El Capitan, Hugo de Leon.
Publicado em 18/mai/2011 por Charles Hansen.
Tags: 1983, libertadores da
O capitão Hugo De León lembra da vitória na altitude contra o Bolívar e do fato de ter sido o único time com o qual venceu nestas condições em todas as vezes que jogou a Libertadores, fala sobre a tensão de jogar contra o Estudiantes no ”potreiro” de La Plata, da pressão sobre os árbitros em apitar a favor do time local, a dificuldade do torneio, a caracteristica do Grêmio de ser ”un típico equipo gaúcho” (em suas palavras) no que diz respeito a garra e do gosto de ter derrotado o Peñarol e contar com o apoio extra da torcida do Nacional (o aurinegro alem de ser rival havia eliminado o tricolor uruguaio) naquela decisão.
Dale Grêmio!
Abraço, Alfredo Alvarez Diaz















