Goalkeepers – Eurico Lara
Publicado em 03/ago/2009 por Charles Hansen.
Tags: eurico lara, goalkeepers
Coluna do NELSON RAMÃO

Nem todos os adjetivos que podem ser dados a um goleiro seriam suficientes para dimensionar e quantificar a importância de Eurico Lara para o Grêmio! Sua trajetória no Tricolor é um misto de história e ficção. E se o nome de um goleiro pudesse servir de sinônimo para o termo “goalkeeper”, esse nome seria Eurico Lara, sem dúvida…
Eurico Lara nasceu em 24 de janeiro de 1897, em Urugaiana, às margens do Rio Uruguai. Conta-se que, certa feita, Máximo Laviaguerre, em conversa com dirigentes gremistas declarou:
“Lá em Uruguaiana tem um goleiro que, quando ele joga, o seu team não perde!”
Eram tempos de futebol amador (a colocação tem por finalidade definir que não ainda havia futebol profissional, ou seja, jogava-se pelo “amor” ao esporte, e não tem o sentido depreciativo tão comumente usado nos dias atuais, como que se somente os profissionais são competentes, muito pelo contrário! Mas voltemos ao Lara…).
Eurico Lara começou no futebol em função de sua atividade profissional, a carreira militar. Era destaque, como vimos, atuando pelo “time do quartel”. A missão de trazer Lara para o Grêmio foi entregue a Luiz Assumpção, mas feito o convite, Lara declinou, deixando clara sua intenção de não sair de Uruguaiana. A direção gremista precisou, então, “mexer os pauzinhos” e “providenciar” sua transferência para uma unidade do exército na capital gaúcha. Transferido, ele acabou aceitando jogar pelo Grêmio e seguiu sua carreira militar chegando ao posto de tenente e tendo participação, inclusive, na Revolução de 1930. Lara foi integrado ao esquadrão tricolor em 1920, aos 23 anos de idade.
Foi uma trajetória de extremo sucesso. Pelo Grêmio, atuou durante 16 temporadas e conquistou 16 títulos. Pela Seleção do Exército, em 1922, venceu o Campeonato das Forças Armadas. Ganhou reputação no centro do País ao integrar a Seleção Gaúcha no Torneio Preparatório que definiria os atletas que formariam a Seleção Brasileira para o Campeonato Sul-Americano. Conta-se que, literalmente, Lara “fechou o gol” numa partida realizada no Parque Antártica contra a Seleção Paulista. A vitória dos paulistas por 4 x 2 não impediu que, ao término do match, o gramado fosse invadido e Lara ovacionado pela multidão. Teria defendido mais de vinte arremates desferidos por Friedereich, o maior atacante brasileiro na época. Surpreendentemente, apesar de sua brilhante atuação, o goleiro gremista jamais foi convocado para a Seleção Brasileira (o que, cá entre nós, não tem problema algum e, talvez, tenha sido melhor assim…). Da sua chegada, em 1920, até sua última atuação, em 1935, Eurico Lara só esteve afastado do Grêmio por um breve período, em 1928, quando fez alguns jogos pelo Fuss Ball Club Porto Alegre.
A LENDA
Diz a lenda que Lara estava hospitalizado, mas teria sido autorizado a assistir a um Grenal decisivo. O empate dá o título ao Grêmio. Com o jogo já no final, o empate em 0 x 0 persiste. Então, inesperadamente, o juiz assinala um pênalti contra o Tricolor. A torcida gremista gela e Lara levanta-se do meio dela, entra no vestiário, coloca o uniforme, calça as botinas e encaminha-se para a meta sob o aplauso que vêm do “pavilhão”. O atacante, nervoso com a presença do grande goalkeeper sob as traves, respira fundo e bate violentamente na bola. Lara cai para o lado e a “encaixa” com firmeza. Seus companheiros correm para abraçá-lo, mas ao aproximarem-se, percebem que ele permanece imóvel, ainda abraçado à bola. Lara teria morrido após defender esse pênalti e garantido ao Grêmio o título de Campeão Metropolitano de 1935, denominado Campeonato Farroupilha, em homenagem aos 100 anos da Guerra dos Farrapos.
Os fatos que envolveram Lara naquele evento assumiram, com o tempo, dimensões épicas por conta do imaginário popular. Mas a lenda é aceita como verdade por muitos gremistas até hoje, mais como espécie de tributo ao maior de todos os goleiros…
A HISTÓRIA
De fato, Eurico Lara participou do Grenal que decidiu o Campeonato Metropolitano de 1935. A história nos conta que, alguns dias antes, porém, o Grêmio realizou um jogo contra o Santos e venceu por 3 a 2. Durante a partida, o santista Mário Seixas chocou-se com Lara. Foi tão grave a lesão, que Lara foi conduzido imediatamente para o hospital e lá se descobriu um problema cardíaco, além de outras enfermidades pulmonares que minavam seu enorme corpo, então com 37 anos de idade. O Grenal decisivo do Campeonato Farroupilha dava a vantagem do empate ao adversário. Por tudo isso, os torcedores amargos já consideravam seu time campeão.
Pouco antes do jogo, Lara continuava acamado e com poucas chances de participar do confronto. “No momento da escalação, porém, ele mesmo pediu para jogar, o que ocorreu nos primeiros 45 minutos, com grande esforço. Fez prodígios para evitar a queda de sua cidadela. Mas defender não bastava. O empate só favorecia o adversário, que lutava leoninamente para manter sua posição na tabela. E o primeiro tempo terminou em 0 x 0”, revela a Revista do Grêmio.
No intervalo, Lara não mais agüentou e pediu para ser substituído e Chico entrou em seu lugar. O placar manteve-se inalterado até os 40 minutos, quando o juiz assinalou uma falta na intermediária do adversário que, a esta altura, estava todo encolhido na defesa. Oswaldo Rolla, o “Foguinho” pediu que Mascarenhas cobrasse a falta e a defesa deu rebote nos pés de Foguinho que estufou as redes: Grêmio 1 a 0. O jogo estava no fim e os amargos, desesperados, deram nova saída. Foguinho recuperou a bola e avançou em direção à meta defendida pelo goleiro Penha que sai esbaforido. Foguinho serviu Laci e ele entrou com bola e tudo, marcando o segundo gol gremista.
Naquele dia 22 de setembro de 1935, Lara deixou o vestiário da Baixada direto para a Beneficência Portuguesa. Saiu do hospital para entrar para a história. Morreu no dia 6 de novembro de 1935. A bola que Eurico Lara tão bravamente defendeu naquele jogo épico, repousa hoje em meio aos incontáveis troféus conquistados pelo Tricolor ao longo de mais de um século, assim como o troféu do Campeonato Farroupilha, o último título conquistado por Eurico Lara…
O mítico e lendário Eurico Lara foi eternizado no hino do Grêmio pelo poeta e compositor Lupicínio Rodrigues. Ele o compôs para as comemorações do Cinqüentenário gremista e acabou tornando-se o Hino Oficial do clube. Assim, Eurico Lara é, até hoje, o único jogador a ser homenageado na letra do hino do clube pelo qual jogou. Diz a estrofe do Hino do Grêmio que homenageia Lara:
“Lara o craque imortal
Soube o teu nome elevar.
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar.”
É do primeiro verso, quando Lupicínio adjetiva Lara como “o craque imortal”, que advém a mística da “imortalidade tricolor”, tão decantada, face às façanhas que o Grêmio realizou ao longo de sua vitoriosa trajetória.
Lara, em sua brilhante passagem pelo Grêmio, conquistou os Campeonatos Metropolitanos de 1920, 21, 22, 23, 25, 26, 30, 31, 32, 33 e 1935. Foi Campeão Gaúcho nos anos de 1921, 22, 26, 31 e 1932.
…….
Esse texto faz parta da coluna GOALKEEPRS – MURALHAS DA AZENHA de Nelson Ramão.







Charles Hansen
04. ago, 2009
Lara está no céu abençoando os arqueiros tricolores. Nem sempre simpatizando com todos, mas tenho certeza que Victor orgulha o maior de todos.
Alfredo Alvarez Diaz
04. ago, 2009
Sem palavras, exelente!
Um ídolo, mais que um ídolo, talvez o maior deles…
”A vida pelo Grêmio daria” para Eurico Lara não foi apenas poesia, não foi metafora.
Que outro time além do Grêmio possui tamanha lenda? Nenhum.
Equívoco, lenda não, historico jogador o qual dá sentido para a frase: ”Se Somos Assim Não É Por Acaso”…
A essência do Gremista, a nossa identidade, o Gremismo em si – que tentamos explicar para os outros quando pedimos mais garra, mais entrega aos jogadores que vestem a gloriosa camisa azul,branca e preta: e o resto (os meros torcedores de seus respectivos times) não entendem.Porque o Gremista não é um simples torcedor, é um graça divina ser um tricolor, se nasce assim, se morre assim…
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Obrigado Grêmio por ser tão grande! Obrigado aos imortais que construiram esta história, um agradecimento especial a EURICO LARA!
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Atenção caros amigos do blog: Dois equivocos, os jogos naquela época iam até os 40 min (não 45) e esqueceram de citar que Eurico Lara defendeu um penalti de Friedereich naquele jogo em São Paulo, alás, Friedereich nunca havia errado um penalti até aquele dia!
Ígor de Gremio
04. ago, 2009
Nós temos um santo protetor de nossa cidadela.
São Lara foi canonizado em 1935, quando deu ao Grêmio o título de Campeão Farroupilha.
Se aquela conquista é para ser lembrada por cem anos, Eurico ficará na memória gremista eternamente.
Descanse em paz caro Lara, a Imortalidade Tricolor não te deixa morrer.
Nelson Ramão
04. ago, 2009
Amigo Alfredo Alvarez Diaz. Obrigado pelo comentário. É um grande estímulo para as próximas empreitadas que, aliás, não serão todas tão ricas em grandes feitos, infelizmente.
Quanto ao tempo de jogo, de fato houve um momento em que a partida tinha dois tempos de 40 minutos. Mas tá aí uma informação que não tenho: Quando mudou para 45 minutos em cada tempo? Se puderes me ajudar… Desde já, obrigado.
Amigo Ígor de Gremio, ótima lembrança a sua sobre o “Jantar Farroupilha” que acontece todos os anos e deverá continuar acontecendo até 2035… Imaginemos como estava o entusiasmo da “turma” lá em 1935 para terem uma idéia dessas… Valeu!
Cesar
04. ago, 2009
Lara o craque imortal
Soube o seu nome elevar
Grande Lara, meu conterrâneo, como um fronteiriço não é de se entragar, só a tuberculose pra levar esse taura.
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar
Abraço ao pessoal do gremiocopero
Nelson Ramão
02. out, 2009
Lara, NOSSO CONTERRÂNEO, então! A turma que vem da fronteira é de fundamento! Depois dele, GESSY é outro uruguaianense que fez história e dispensa comentários! Claro que não era goleiro, mas era guerreiro!
Saudações.
Prof. Gilsmy Boscolo
09. ago, 2010
Quem faz as lindas ilusrações???
douglas bonaci
19. ago, 2010
lara foi um mito q eu me arrempendo de nao te viso ele jogo mais eu to vendo victor jogar outro mito do imortal tricolor !!!1
douglas bonaci
19. ago, 2010
lara foi um mito q eu me arrempendo de nao te visto ele jogar mais eu to vendo victor jogar outro mito do imortal tricolor !!!1
Nelson Luiz Ramão
07. set, 2010
Caro Prof. Gilsmy Boscolo!
Obrigado pelo elogio… As ilustrações são minhas mesmo…
Um grande abraço.
Charles Hansen Reply:
setembro 8th, 2010 at 11:00
Grandioso ilustador e contado de histórias tricolor =)
Thiago SM
27. set, 2010
Pois é tchê!! Eu sei de uma história que esse Grenal era o Grenal do Centenário Farroupilha e o Grêmio precisa fazer saldo no clássico pra ganhar taça. E, no final do jogo, um penalti para os ribeirinos vermelhos, e quem bate é o Irmão de Lara que era conhecido por ter um chute violento. Após pegar a penalidade com uma defesa firme, Lara sentiu a força da cobrança e ao final do jogo caiu na frente da meta, sendo levado pelos braços da multidão que invadira o campo para festejar.
Pelo menos, era como meu tio me contava essa história.
Toda veaz que me passa a parte do Hino: “Lara o craque Imortal…” chego a arrepiar o pelo!!
Charles Hansen Reply:
setembro 28th, 2010 at 8:34
Duas referencias aqui no blog.
http://www.gremiocopero.com/goalkeepers-eurico-lara/
http://www.gremiocopero.com/2007/09/20/31/
Thiago SM
29. set, 2010
Como eu falei Hansen, é uma versão da história que caiu no imaginário dos torcedores gremistas. Principalmente os mais velhos, como esse meu tio me falava, claro que deve ser guardada as devidas proporções, mas sem essa incrementação de fatos, essa lenda poderia cair no esquecimento. Porém, graças a Deus que nós gremistas adoramos cultuar nossa gloriosa história.
Nelson Luiz Ramão
30. set, 2010
Fala Thiago SM! Pergunta: SM é de Santa Maria? Fica frio! Até hoje há quem refira a lenda como fato histórico o que, de certa forma, não diminui em nada a importância do grande Lara para o Grêmio. Pelo que pude pesquisar até aqui, nenhum outro goleiro gremista superou Lara na titularidade do Tricolor. Foram 15 anos de titularidade absoluta. Incrível, não?
Grande abraço, parceiro!
Alex Gobus
24. dez, 2010
Caros AMIGOS, tricolores….
Acabo de ler a história dessa estrela maior da nossa constelação, somente uma história rica em sentimento, entrega, DESPRENDIMENTO E GREMISMO A CIMA DE TUDO pode explicar esse sentimento que nos envolve, embala, nos enche de emoções e desperta em nós tricolores um profundo orgulho de sermos GREMISTAS!!!
Na minha, humilde, opinião esta ESPETACULAR história deve ser entregue a todos os jogadores que vestem o manto sagrado, para que esse mito EURICO LARA jamais deixe morrer a essência da paixão tricolor do sul do país, a imagem de GRÊMIO COPERO.
Hoje é 24 de dezembro de 2010, véspera de Natal, mas o verdadeiro Natal Tricolor é 9 de SETEMBRO, nascimento do MESSIAS RENATO PORTALUPPI!!!! ABRAÇO TRICOLOR A TODOS.