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Por que sou gremista – Lupicínio Rodrigues

Publicado em 26/abr/2009 por .

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Que Lupicínio Rodrigues compôs o hino do Grêmio, isso não é novidade. Muito mais que o hino do clube, é uma declaração de devoção, comprometimento e zelo por parte dos torcedores para com o Tricolor. Talvez passe por aí o fato de ser um dos mais belos do país e um dos poucos FEITO PARA O CLUBE. Para mim, o “até a pé nos iremos / para o que der vier” é La Marseillaise para gremista entoar. É a marcha em busca do triunfo e da glória.

foi assim lupicinio rodrigu 207x300 Por que sou gremista   Lupicínio RodriguesNuma andança pela Internet encontrei o texto que abaixo transcrevo, escrito pelo próprio Lupicínio, explicando por que era torcedor fervoroso do Grêmio. Podemos também entender os motivos que fizeram o Grêmio levar meio século até aceitar atletas negros (Tesourinha foi o precursor Retificado no post acima) . De quebra o texto permite colocar em cheque a veracidade sobre a existência de um clube do povo.

Desejo boa leitura e espero que apreciem o material.

PORQUE SOU GREMISTA

Domingo, estive em um churrasco na Sociedade Satélite Prontidão, onde se reúne a ‘gema’ dos mulatos de porto Alegre. Lá houve tudo de bom, bom churrasco, boa música e boa palestra. Mas como nestas festas nunca falta uma discussão quando a cerveja sobe, lá também houve uma, e foi a seguinte:
Uma turma de amigos quis saber por que, sendo eu um homem do povo e de origem humilde, sou um torcedor tão fanático do Grêmio.

Por sorte lá estava também o senhor Orlando Ferreira da Silva, velho funcionário da Biblioteca Pública, que me ajudou a explicar o que meu pai já havia me contado. Em 1907, uma turma de mulatinhos, que naquela época já sonhava com a evolução das pessoas de cor, resolveu formar um time de futebol. Entre estes mulatinhos estava o senhor Júlio Silveira, pai do nosso querido Antoninho Onofre da Silveira, o senhor Francisco Rodrigues, meu querido pai, o senhor Otacílio Conceição, pai do nosso amigo Marceli Conceição, o senhor Orlando Ferreira da Silva, o senhor José Gomes e outros. O time foi formado. Deram o nome de Rio-Grandense, e ficou sob a presidência do saudoso Julio Silveira. Foram grandes os trabalhos para ecolher as cores, o fardamento, fazer estatutos e tudo que fosse necessário para um clube se legalizar, pois os mulatinhos sonhavam em participar da Liga, que era, naquele tempo, formada pelo Fuss-Ball, que é o Grêmio de hoje, o Ruy Barbosa, o Internacional e outros.

Este sonho durou anos, mas no dia em que o Rio-Grandense pediu inscrição na Liga, não foi aceito por que justamente o Internacional, que havia sido criado pelo ‘Zé Povo’, votou contra, e o Rio-Grandense não foi aceito. Isso magoou profundamente os mulatinhos, que resolveram torcer contra o Internacional, e o Grêmio, sendo seu maior rival, foi escolhido para tal.

Fundou-se, por isso, uma nova Liga, que mais tarde foi chamada de Canela Preta, e quando estes moços casaram, procuraram desviar os seus filhos do clube que hoje é chamado o ‘Clube do Povo’, apesar de não ter sido ele o primeiro a modificar seus estatutos, para aceitar pessoas de cor, pois esta iniciativa coube ao Esporte Clube Americano, e vou explicar como:

A Liga dos Canela Preta durou muitos anos, até quando o Esporte Clube Ruy Barbosa, precisando de dinheiro, desafiou os pretinhos para uma partida amistosa, que foi vencida pelos desafiados, ou seja, os pretinhos. O segundo adversário dos moços de cor foi o Grêmio, que jogou com o título de ‘Escrete Branco’. Isso despertou a atenção dos outros clubes que viram nos Canelas Pretas um grande celeiro de jogadores e trataram de mudar seus estatutos para aceitarem os mesmos em suas fileiras, conseguindo levar assim os melhores jogadores, e a Liga teve que terminar.

O Grêmio foi o último time a aceitar a raça, porque em seus estatutos constava uma cláusula que dizia que ele perderia seu campo, doado por uns alemães, caso aceitasse pessoas de cor em seus quadros. Felizmente essa cláusula já foi abolida, e hoje tenho a honra de ser sócio-honorário do Grêmio e ter composto seu hino que publico ao pé desta coluna.

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Parabéns, co-irmão

Publicado em 04/abr/2009 por .
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blue brothers 150x150 Parabéns, co irmãoOs fervorosos Blue Brothers, Eduardo “Peninha” Bueno e o seu irmão Fernando Bueno, encaminharam para o Grêmio Copero uma homenagem  sobre o aniversário do co-irmão. Abaixo transcrevemos o texto recebido a poucos minutos. Faço das deles as nossas palavras para esta corrente data. Obrigado Eduardo e Fernando e um forte abraço.

Parabéns, co-irmão

Segue em busca de teu sonho centenário

Faz cem anos, mas parece que foi hoje.
Um século exato se passou desde que apareceste de surpresa e logo foste bater pela primeira vez à nossa porta. Como toda a visita inesperada, causaste certo desassossego, assim como o desembarque de recém-nascido em família constituída provoca alvoroço. Além do mais, chegaste com boa dose de empáfia. Teu tom desafiador era direto e explícito. Mas acima de tudo, e disso nunca duvidamos, vieste com admiração e encanto. Estavas fascinado: querias ser como teu irmão mais velho e a forma que encontraste para chamar a atenção foi.. desafiá-lo.

Brioso como o mosqueteiro, o Grêmio sempre primou por travar batalhas com seus pares e aquele não era o caso: recém-saído das fraldas, tu ainda tropeçavas nas próprias pernas. Te oferecemos então nosso “segundo quadro” (afinal, já estávamos interessados em objetivos maiores). Te exaltaste, lembras bem? Tomaste nossa generosidade por desplante. Imberbe que eras, olhaste com desdém para a altiva barbicha de Augusto Koch, nosso presidente.

100x0 anos primeiro grenal Parabéns, co irmãoFingindo não ver as espinhas de teu presidente-adolescente, José Leopoldo Serefin, um menino de 18 anos, cheio de ilusões, Koch pensou em falar com os co-fundadores, os irmãos Poppe. Mas os irmãos Poppe, cáspite, eram… forasteiros: vindos de terras bandeirantes, estavam pouco afeitos às lides e aos lemas locais. E também eles se revelaram intransigentes: “O primeiro quadro!” bradaram, em uníssono. E Koch, magnânimo, assentiu, com uma advertência: o tradicional baile pós-jogo seria por conta do Grêmio. Dizem as más línguas que te indignaste com o fato de o baile ter sido antecipado e não gostaste de dançar antes da hora, dentro das quatro linhas. Tomaste 10 a 0, te recordas? Para Serefin foi demais, e o garoto desistiu.

Mas tu, encarnado nos Poppe e nos rubros brios dos irmãos Vinholes, tu não! Sacudiste a poeira e foste em frente – e, sabem os deuses, te admiramos por isso. Propuseste então um novo desafio – e levaste cinco.

Mas teu desejo incontido de emular o Grêmio também em sua imortalidade voltou a falar mais alto e insististe em um novo round. Levaste dez de novo, mas daquela vez, benza Deus, fizeste um “golo”. A proeza, nunca olvidaste, foi obra do persistente Vinholes, um dos irmãos-fundadores – o que jogava na ponta. Quando aquele balão de couro enfim estufou as redes imaginárias da meta tricolor – estabelecendo o placar de 25 x 1 em três jogos – , teus desejos se tornaram realidade: viste que teu sonho de equiparar-se ao Grêmio não era só fantasia obsessiva.

E assim obtiveste força para seguir em frente na cidade que pacientemente te acolheu e que assistiu teus primeiros passos, teus primeiros tombos, tua primeira aula, tuas primeiras dúvidas, primeiras dividas, primeiras divididas. Tuas primeiras surras. Teu primeiro gol!

Cem anos se passaram e, ao longo de todo esse século, em nenhum só minuto, em nenhum só jogo, em qualquer canto desse planeta azul, deixaste de estar decidido a imitar nossas façanhas, que aliás sempre serviram de modelo à toda a Terra. Teu fervor é comovente e só pode nos encher de orgulho. Continues tentando, caro Inter, e com a fibra típica do gaúcho que és – embalado pelo exemplo do incansável encarnado Vinholes, –, haverás um dia de chegar lá. Afinal, bem sabes hoje, cem anos passam num tapa.

Recebe nosso fraterno abraço, jovem co-irmão.
E também um tapinha nas costas, que ainda tens força para tanto e muito mais.

Os Blues Brothers
Fernando e Eduardo Bueno

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Uma história de família…

Publicado em 28/fev/2009 por .
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…. relembrada na noite deste sábado por meu pai reforça ainda mais meu pensamento sobre o Gre-nal: é muito mais que o jogo onde se enfrentam os times de maior rivalidade do país.

Nascido e criado à beira do rio Taquari, conta seu Silon que lá pelas décadas de 60, 70  o clássico entre Grêmio e Amargos, clubes locais, era a maior atração entre a comunidade ribeira da cidade. Era o encontro de inúmeras famílias que tinham nas cores de seu time a maior motivação para a vitória.

Meu vô Julio ia de facão para os clássicos,  sempre no intuito de defender, caso fosse necessário, os gremistas Cardias que entravam em campo. Jogos memoráveis que invariavelmente acabavam com alguma confusão, ainda que fossem todos vizinhos de décadas.

Mas como já diz o ditado…vizinhos, vizinhos, clube de futebol à parte. Na hora de honrar as cores que a família defendia, a amizade ficava bem esquecida.

Gre-nal era Gre-nal, fosse na capital entre os times profissionais, fosse na beira do rio Taquari, entre as famílias que, orgulhosas, entravam em campo para defender seu time do coração.
E todos queriam sempre a VITÓRIA.

É com este sentimento que amanhã vou até o aterro. Para ver o meu Tricolor sair vitorioso, independente da pouca vontade do Juarez. O clássico eu quero ganhar SEMPRE!

Fecho com o nosso presidente: Ta na hora de ganhar o Gre-nal!
Para falar a verdade, já passou da hora…

Vamos novamente dar a volta olímpica no aterro, recebendo das mãos do presidente pedalado a Taça de Campeão!

Vamos Grêmio!

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Tem jogo? Eu vou!

Publicado em 18/fev/2009 por .
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primeiro gol herrera 2009 Tem jogo? Eu vou!

Grêmio no monumental é compromisso prioritário no meu calendário anual. Só outro evento de extrema importância, necessidade e/ou urgência (como o merecido descanso no feriado de carnaval…hehe)  me impossibilita de ver meu Tricolor.

Falo isso pra responder aos tantos que perguntaram se numa noite escaldante como a de ontem, plena terça-feira, não teria nada melhor a fazer. Quem me conhece sabe que não. Pra muitos é loucura, doença, fanatismo…pra mim é o Grêmio!

Mas considerando que a partida diante do Xavante foi apenas pra garantir a primeira colocação do grupo, e o Grêmio apresentando-se com time quase que de reservas, admito que ontem fui mais pela ceva, amizade e pra ver a atuação do tal jogador Isael, que não figurou nem no banco de reservas. Vai entender…

libertadores rumo ao tri Tem jogo? Eu vou!

Jogo que não deu pra tirar conclusões, mas algumas observações. Pelo andar da carruagem, se aquele volantão pretendido não for contratado de imediato, será mesmo o Adílson o dono da posição ao menos nesse início de Libertadores. O Douglas Costa não foi nem metade do que eu esperava, o Diogo ainda é uma incógnita e, por enquanto, opção. E com Alex Mineiro, Jonas, Herrera e Maxi como alternativas para o ataque, assim como o Perea, penso que o Reinaldo não terá muito o que fazer na Copa.

No fim valeu pelos gols, pelo reencontro com os amigos e pela ceva gelada.

PS: falta uma semana pra estreia. To começando a sentir aquele frio na barriga de ansiedade…

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Meu Grenal inesquecível

Publicado em 07/fev/2009 por .
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grenal Meu Grenal inesquecível

Lembro com certo saudosismo daquela tarde de sábado, 26 de outubro de 2002. Naquele dia, pela primeira vez, ao vivo e a cores, acompanhei um Grenal. Foi uma experiência tão louca quanto especial. Não é por acaso que dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Mesmo que já tivesse decidido, no dia anterior, que seria apenas mais um clássico do radinho, minha vontade de assistir a um Grenal foi infinitamente maior a tudo que conspirava contra. Sem avisar a família que iria sozinha, saí de casa ainda não acreditando na decisão que tomara. Detalhe um: o jogo era naquele estádio ali da beira do lago. O deslocamento até o aterro foi um misto de alegria e apreensão. Minha barriga doía e o coração, por vezes, quase saltou pela boca. No centro, um princípio de tumulto quase me fez desistir do sonho. Resisti bravamente. Já agia mais com o coração que com a razão. A paixão pelo tricolor era minha maior motivação. Totalmente sem identificação, ainda assim, durante todo o trajeto, fui alvo de piadinhas. Será que minha cara estampava algo além que pavor? Chegando ao local do jogo e passado aquele medo inicial, percebi a ficha caindo lentamente. Nada mais me faria voltar atrás. Não fosse um pequeno mas importantíssimo detalhe: o ingresso. Faltando em torno de duas horas para o início do jogo, ingresso para gremista era artigo de luxo e só na mão de cambistas a valores exorbitantes. Relutei. Quando finalmente decido que o investimento era necessário, nem cambista mais tinha a entrada. Entrei em desespero. Não acreditava que ficaria de fora.  (mais…)

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