Arquivo para 'Opiniões e percepções'
Clamor que ilumina a sombra.
Publicado em 22/jun/2011 por Charles Hansen.
Tags: 2011, contratações, portaluppi, qualidade, reforços
Quais são os teus temores? Os meus vieram à tona pela voz do ídolo máximo, dono da casamata, que externou publicamente o pleito por reforços. Enquanto vemos o movimento dos demais clubes agregando qualidade (que até podem ser questionadas), do nosso lado o tempo passada e a efetividade em que os reforços chegam é passível questionamentos.
Contratar para corrigir, esse é a tônica gremista. Remendo a um planejamento que fez com que o ano passasse enquanto o clube ficava pelo caminho. Ta aí o desconforto expresso em palavras: a não resignação para o que o pouco que resta não escorra entre os dedos como se viu até aqui.
Compreendo Renato, sinto-me representado. A forma como feita pode ser questionada, publicamente, mas a reivindicação é legitima e verdadeira. Ele sabe da parcela de responsabilidade, de algumas formações equivocadas que colocou em campo, mas é difícil dar equilíbrio para um time que carece. A auto-suficiência de uma reta final de brasileiro, o investimento em contratações que não se confirmaram (R10, por exemplo, graças a Deus) e perdas de expoentes pela porta da frente contribuem para a situação delicada para o tamanho desta agremiação. Responsabilidade diretiva.
Do se será daqui pra frente, não faço idéia. Espero que clamor seja materializado em atletas dignos da tricolor. Ou será mais fácil trocar treinador para justificar o injustificável?
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Quanta glória nos trouxe a original.
Publicado em 19/jun/2011 por Leonardo Fleck.
Tags: bruxismo
Pois bem, ao que me conste o sujeito Gabriel (outro “friolento”) não é o batedor de pênaltis da equipe. Entenda quem conseguir, mas essa mania de “dar moral” deve ser categorizada como tal, mania. E viva o bruxismo.
Fatalmente o futebol da equipe crescerá com o experiente Gilberto Silva e do, até ontem, matador Miralles. Espero que o São Paulo (que demitiu e “desdemitiu” seu treinador) ainda deixe um pouco de fôlego ao campeonato, já que a graça começará, pro resto da humanidade, somente no rebaixamento do Paranaense – aquele clube de Curitiba que não deve pra ninguém.
Li que o Grêmio é a equipe que menos faltas cometeu até aqui nesse modorrento e resvaladiço Paloccião 2011. Externar desagrado e contrariedade através de palavras tornou-se um hábito que nesse exato instante abandono, talvez para buscar de volta amanhã ou depois.
Que repliquem também os títulos. Sem mais.
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1981: Retro da Topper
Publicado em 19/jun/2011 por Charles Hansen.
Tags: 1981, camiseta retro, topper

Louvável a ação de levar à campo uma camisa retro. Camisa produzida é camisa que entra em campo.
Simples como 1981. Belas que dão vontade de te-las na coleção. Preço salgado? É o preço da história.
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Vale liderança? Conte com a derrota.
Publicado em 11/jun/2011 por Leonardo Fleck.
Tags: liderança, vulcao
Vale liderança? Conte com a derrota.
Não importa o caráter da partida, a tarimba do adversário, o campo de jogo, as cinzas do vulcão, os pedaços de memória, a tristeza do dia. O resultado foi o de sempre e a esperada derrota decidiu não se fazer demorar.
Mais uma semana em vão.
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Football Without Millions – clubes de bairro.
Publicado em 09/jun/2011 por Leonardo Fleck.
Tags: barra-brava, buenos aires, clubes de bairro, hooligan, violencia
Escrevi, a pedido do chapa Adriano Snel, o texto que segue sobre os clubes de bairro da capital Argentina, Buenos Aires. O texto foi publicado orginalmente na edição número 3 da revista que o amigo co-edita. Reproduzo-o aqui como pequena homenagem ao último carrasco do SC2006, Alejandro Martinuccio.
Football Without Millions, clubes de bairro.
Paixões clubísticas despertam rivalidades e pra que sejam paixões verdadeiras, necessitam rivalizar.
A cidade de Buenos Aires abriga mais de 20 agremiações profissionais de futebol e esse não é um dado menor quando se evoca rivalidades. São clubes disputando em todas as divisões, oferecendo anedotas e rivalidade para todos os paladares. O super-clássico, os grandes clássicos e os clássicos de bairro. Desde os tempos em que o futebol não era uma máquina de gerar dinheiro e ídolos multimidiáticos dispostos a decepcionar o clube do coração por uma oferta superior, os clubes de bairro estavam lá e lá sempre estarão, não tão sólidos como a rocha, mas eternos como o vento.
A história conta que se originaram no começo do século XX, fundados por imigrantes e descendentes, muitos, como homenagem, receberam no batizado o nome do pedaço de chão que os acolheu. Club Almagro e San Lorenzo de Almagro, bairro de Almagro, Boca Juniors, bairro de La Boca, Defensores de Belgrano, bairro de Belgrano, San Telmo Football Club, bairro de San Telmo, Chacarita Juniors, bairro da Chacarita… a lista segue. Muitos outros não carregam o nome de seus bairros, mas a identificação e devoção para com as demarcações geográficas não diminui em nada sua relação com elas.
Com os clubes, naturalmente, nasceram posteriormente as clássicas rivalidades. Seus campos são acanhados, exprimidos entre casas e edifícios. Seus gramados são castigados pelo frio do inverno. O futebol que praticam é duro, viril, forjado na tradição de batalhas dos seus povos. Seus torcedores são fanáticos. Se os seguem na boa e na ruim, não é porque na boa é mais fácil e na ruim mais necessário, é porque o apego está no chão, vem do berço, justifica-se na história. O clube do pibe é o do pai, o do avô, é o clube da família, é o seu lugar no mundo. Em uma só palavra, fidelidade.
Na medida em que o futebol se profissionalizou, surgiram as categorias, cresceram os clubes, as rivalidades, o número de torcedores se expandiu para além dos limites do bairro, alguns tornaram-se grandes clubes nacionais tomando proporções que o pequeno bairro já não daria conta de suportar. Com o tempo exasperaram-se os ânimos, surgiram as barras-bravas (qualquer torcida que se considere respeitável, não importa o tamanho, têm sua barra-brava) e o que seguiu é, por um lado o que idealiza-se como futebol argentino – futebol aguerrido, por vezes violento, torcidas insandescidas pulsando atrás dos arcos em ambiente hostil cuja proximidade do alambrado e volume dos cânticos provoca arrepios – e por outro, o que podemos chamar de “a profissionalização das torcidas” e, em certo aspecto, da violência. O termo barra-brava surgiu na imprensa argentina em finais da década de 1950 e se estabeleceu como uma subcultura com códigos internos próprios.
São legendárias as torcidas argentinas e de conhecimento comum seu modus operandi visível: cânticos, trapos, bumbos, barras, papéis picados e bandeiras, objetivando festa bonita e pressão psicológica contra os times visitantes. Se em partidas entre eles o embate é vigoroso, imaginem pros estrangerios, verdadeiras batalhas campais foram travadas em seus campos enlameados, oferecendo ao futebol – o esporte – aquilo que ele deve ser. São históricas as confusões, as pancadarias, os quebra-quebras, os assassinatos. Há uma cultura estabelecida, é uma questão social reconhecida e há, inegavelmente, ausência das forças públicas na coibição do caos e na manutenção da ordem. Ninguém nega a beleza da festa, mas ninguém a manteria se a paz fosse selada em troca de seu sacrifício. Para nossa sorte a beleza da festa passa ao largo da violência, dedos apontados pro Estado, portanto.
Hoje, não há pai que não se questione duas vezes antes de levar um filho ao campo de futebol e pros amantes de um clube poucas coisas poderiam ser mais tristes. Quando a paixão futebolística se torna qualquer coisa que não o amor pelo clube, pelas cores, pela camiseta, algo está mal, perdeu-se o sentido primeiro, a essência.
Permitam-me um digressão necessária. A violência das torcidas pode ser erroneamente confundida como um elemento do futebol romântico, mas não passa, entretanto, de uma marca lamentável de um tempo que deveria ser passado. Inglaterra e Argentina são exemplos fundamentais nos assuntos relacionados à violência nas arquibancadas, por ações da primeira e inações da segunda.
A Inglaterra resolveu seu problema hooligan com duras sanções da UEFA e, principalmente, pelas duras e necessárias decisões da inquebrável dama de ferro Margareth Thatcher que assumiu a culpa inglesa na tragédia de Heysel em 1985 e organizou aquela maconha toda com culhões e convicção. A proibição da venda do álcool NÃO existe em estádios ingleses, diga-se, tampouco barreiras físicas entre arquibancada e campo. O peso da lei se faz sentir e respeitar.
A Argentina, na risível tentativa de resolver seu gravíssimo PROBLEMA barra-brava proibiu a venda de álcool nos estádios (entre outras medidas inócuas) e, diferentemente da Inglaterra, não enfrentou e não enfrenta as suas reais questões: a impunidade, as promíscuas relações das barras com dirigentes, sindicalistas e políticos em práticas mafiosas. Há poucos anos um torcedor do Vélez foi morto a bala nas imediações do estádio do San Lorenzo e o ministro da Justiça do desgoverno de Cristina Fernández de Kirchner declarou que isso não é um problema do futebol e que poderia haver ocorrido em uma ‘excursão de aposentados’ e que foi um ‘ato isolado’.
O que representa a violência nas arquibancadas argentinas e, o que é pior, fora dela, é um intrincado jogo de poder, status e dinheiro. Se o futebol fosse um mundo, a Argentina de hoje abrigaria dois universos dentro dela. Por um lado temos a primeira divisão, os grandes clubes, o horário nobre, o futebol de ascenso, os campos castigados, os estádios acanhados. Por outro lado temos as sombras que se projetam sobre o primeiro.
Fim da digressão.
O que mantém o futebol vivo na Argentina e em qualquer lugar do planeta é a paixão do torcedor. Não existiria clube sem torcida, não haveria demanda sem paixão. Os milhões tornam o futebol competitivo, atraente pros profissionais, viáveis a um mundo cada vez mais financeiro-dependente. É a roda do tempo a girar, não há nada a lamentar, nem páginas a retroceder, pois paixão não se compra e não se vende.
Não tão sólidos como a rocha, mas eternos como o vento. Football without millions, uma prática enterrada viva, ainda respirando.













