Arquivo para 'Opiniões e percepções'
O ‘era uma vez’ já foi de verdade.
Publicado em 06/fev/2012 por Leonardo Fleck.
Tags: memoria
Foi-se o tempo em que o Grêmio era temido dentro e atacado fora de campo pelo suposto excesso de violência (tempos de glória). Sempre considerei tais questões bobocas, vazias de sentido, um não-argumento sempre na boca do perdedor. Sempre defendi o estilo vigoroso de praticar o esporte, afinal de contas SEMPRE GANHAMOS assim. Éramos método, conceito, estilo, cultura.
Pois bem, os constrangedores assobios, vaias e resmungos gremistas criticando a arbitragem e a suposta violência rival atestam duas constrangedoras verdades daquilo que se perdeu. A primeira delas é que os jogadores do Grêmio não entendem a história do Grêmio. E a segunda, ainda pior, é que o próprio torcedor do clube parece a ter esquecido. A torcida do Grêmio esqueceu-se do Grêmio. Quem acompanha esse espaço deve reconhecer, há quanto tempo afirmo que o Grêmio perdeu a memória, que precisamos de um Grêmio mais Grêmio? Tá no arquivo.
Num jogo como o de ontem, principalmente, não se apanha, se bate. Receber uma entrada ríspida, nos bons tempos, significaria provavelmente, ser alvo de revide. Isso para o bom e velho Grêmio, claro, não pra esse bando de donzelas preocupadas em apanhar primeiro, queixar-se depois e fazer biquinho ofendidas caso o juizinho não dê, atenção: cartão. Pra puta que os pariu! Se o juiz é frouxo, melhor. Se o adversário for inexperiente, melhor. Se for clássico, deus do céu, tenham fome de vitória. Patrolem emocionalmente, psicologicamente, fisicamente se preciso for. Ganhávamos ontem pela ruindade inexperiente do adversário e ainda assim o problema era o árbitro? Mesmo? Até o limitadíssimo Bolívar têm, sozinho, mais cancha que todo o time atual do Grêmio e, provavelmente, os dos últimos 10 anos.
Para bom entendedor meia dúzia de partidas bastam. Quer um exemplo? Teve gente vibrando com aquela faceirice contra o Santos na semi-final da Copa do Brasil em que viramos um joguinho difícil dentro de casa no jogo de ida e, naturalmente, na volta perdemos a vaga na final. Lembram? “Imortalidade”, bradaram os mais ingênuos enquanto esse texto era escrito. Eu não sou melhor do que ninguém, apenas tenho memória, coisa que nosso torcedor – pela força de muito auto-engano, e falta de equipes vencedoras – parece ter perdido.
Estamos tão longe, torcedores, jogadores e dirigentes, do velho Grêmio.
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Já passou da hora de responder dentro de campo, já que fora de campo o concreto avança.
Publicado em 03/fev/2012 por Leonardo Fleck.
Tags: arena, Aterro, grenal, mombach, montevideo, petista, pont, vieceli
Véspera de Gre-nal.
Twice Caldas classificou-se sobre o Once Caldas à Libertadores. Nenhuma menção aos dois gols ilegais validados porque não pretendo irritar com más lembranças meus amigos do Nacional de Montevideo. Entenderam? Nenhuma menção porque passou quem passaria de qualquer forma.
Véspera de Gre-nal.
Grêmio vendeu seu melhor volante e seu melhor meio campista. Não entrarei no mérito, nos pormenores. Caio Jr. disse que o time inicia pelo ataque. De fato, temos um baita ataque. Resta saber se o resto do time, algum dia ainda em 2012, acompanhará. Caio Jr que se vire.
O fato da semana pertence ao deputado estadual colorado e petista Raul Pont, petistando a favor da sua coloradagem.
Escreveu o homem e publicou o garoto de recados Hiltor Mombach:
“Caro Hiltor, saúde! Li publicação na tua coluna sobre o entorno da Arena do Grêmio e a falta de recursos para melhoria de acessos e obras complementares. A cobrança vai ao “poder público”. Concordo que cabe a cobrança ao poder público, mas essa. O governo estadual entregou aquela área de graça, avaliada em R$ 38 milhões, e recebeu em troca área gravada na Estrada Costa Gama no valor de R$ 3 milhões.
O Estado, apesar da lei aprovada condicionar compensações, abriu mão de qualquer compensação avaliando que os ganhos futuros serão bons para o erário. Portanto, um grande negócio para a OAS. Ao governo municipal cabia exigir diante do tamanho do investimento todas essas providências e, tudo indica, não o fez. Para benefício, de novo, da OAS. Agora, se quer que o poder público pague a conta?
Nenhuma obra desse porte, nenhum loteamento, pode ser aprovado sem que o investidor assuma os custos das consequências do investimento para o entorno. Por exemplo: o Shopping Praia de Belas (duplicação da Avenida Praia de Belas), o Carrefour Passo da Areia (Avenida Grécia e obras pluviais), o Barra Shopping Sul (Avenida Diário de Notícias, moradias populares e outras obras), entre tantos outros.
Portanto, de poder público, o que falta, nesse caso, é o poder de regulação, de controle, de exigências de urbanização e obras complementares em empreendimentos deste tipo.
Saudações, Raul Pont.”
Pois bem, pra sorte do Grêmio, fora de campo e longe do futebol, temos gente competente e intelectualmente honesta a se dispor.
Nosso conselheiro Giuliano Vieceli replicou:
A Gota D’Água
Chega!
À medida que meus olhos percorriam as palavras ditas pelo ex-prefeito, ia me dando conta de que a Copa do Mundo em Porto Alegre não é um jogo de gato e rato.
Informações falsas (o terreno foi COMPRADO pela OAS, num valor próximo a R$ 40 milhões, além da construtora se responsabilizar em construir uma universidade na Restinga – Estrada Costa Gama, um novo posto policial, se responsabilizar por reposicionar a rede de transmissão que passava pelo terreno da Arena, sem contar na construção de uma nova escola para a região – já construída, diga-se de passagem – pois a existente ficava dentro do terreno), falso desconhecimento do assunto e o uso de exemplos que nem de longe se encaixam no cenário Rodovia do Parque x Complexo Arena.
Nem gatos, nem ratos. Estamos lidando com porcos e patos.
De um lado, pessoas com espírito de porco que, no alto de seus poderes e influências políticas, não buscam o melhor para a cidade. Querem colocar obstáculos no projeto adversário, buscando assim proteger o seu. Do outro lado os patos, aqueles que buscam aproveitar o fator Copa do Mundo como a tábua de salvação na busca de recursos primordiais para a cidade, a fim de torná-la mais moderna, mais segura, mais confortável, independente das cores que carrega no peito.
Em que grupo o ex-prefeito se encaixa? Bem, vejamos:
- Ele tentou aprovar uma emenda que forçaria as obras da Arena a terem 50% da mão-de-obra gaúcha, sendo que todos nós sabemos que no Brasil a grande maioria da força de trabalho nesta área é composta de pessoas do Norte/Nordeste. (será que fará o mesmo em relação às obras do Beira-Rio?)
- Votou contra a aprovação dos índices para o terreno do Olímpico (adivinhem o voto dele em relação aos índices da área do Beira-Rio?)
- Votou contra a liberação do terreno onde hoje está sendo construída a Arena
A carta reproduzida acima foi apenas a “cereja do bolo”. Mas para nós, porto-alegrenses, tem que servir como a gota d’água.
O deputado Raul Pont sabe que se as verbas necessárias para as obras viárias no entorno da Arena não chegarem até março, elas não ficarão prontas no momento da inauguração do estádio tricolor. Sabedor disso, se posiciona de maneira patética, colocando como responsabilidade da OAS algo que é de responsabilidade do Governo Federal.
Vou provar que o argumento do deputado é inválido (para não dizer idiota):
Se não houvesse estádio ali naquele terreno, haveria ainda sim a Rodovia do Parque, correto?
Logo, a rodovia não existe por causa do Projeto Arena. Ela foi concebida pela necessidade de se criar uma alternativa capaz de aliviar o tráfego na BR-116. Mesmo se o Projeto Arena não existisse, haveria ainda a necessidade de se melhorar a malha viária na região onde a Rodovia do Parque desemboca (dentro do Bairro Humaitá), para escoar o tráfego gerado por ela.
Neste cenário, se ainda estivesse na condição de prefeito, o que o excelentíssimo Raul Pont faria? Diria para os porto-alegrenses que o problema era da construtora ou buscaria recursos junto a União, pelo fato de se tratar de uma Rodovia Federal?
A resposta é lógica.
Ora nobre deputado, algumas pessoas raciocinam, sabia?
Shopping Praia de Belas, Carrefour Passo da Areia, Barra Shopping Sul… É óbvio que as melhorias no entorno destes empreendimentos é obrigação do investidor. Por um simples motivo: o aumento no tráfego daquela região foi causado pelo EMPREENDIMENTO construído, seja ele shopping, seja ele supermercado.
Já o aumento do movimento no Bairro Humaitá não se dará pela construção de um estádio que funcionará uma vez a cada 10 dias. Se dará por conta de uma Rodovia Federal que terá cerca de 33% do tráfego hoje existente na BR-116 (e todos nós, gaúchos, sabemos o inferno que esta rodovia representa no dia-a-dia).
Portanto, PROTESTEM contra este cidadão. Mandem e-mails (imprensa@raulpont.com.br), cobrem no twitter (@raulpontPT), façam barulho.
Chega dessa palhaçada, deste jogo ridículo onde todos saem perdendo: gremistas, colorados e, principalmente, a cidade de Porto Alegre.
Saudações tricolores,
Giuliano Vieceli
Conselheiro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
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Enquanto um grande título não vier.
Publicado em 27/jan/2012 por Leonardo Fleck.
Tags: chororo, sentimentaloides, videogame
Poucas coisas se tornaram mais aborrecidas do que escrever sobre o Grêmio. Colocar em palavras alegrias distantes e dissabores constantes não sabem ser libertadores. Vemos a vaidade pessoal arruinando o bem coletivo. Privatizaram o clube entre dois grupos e o resto é consequência da incapacidade de ambos em dar respostas à sala de troféus. Sou pragmático o suficiente para apoiar aos que levantarem canecos, títulos serão a verdade absoluta.
Aliás, qual a razão de escrever sobre o Grêmio ainda? Qual a pauta válida?
Enquanto um grande título não vier e sem ninguém pedir, ofereço conselhos aos sentimentalóides tricolores. Naturalmente, esse espaço pode considerar-se incluído.
1.
Esqueça a história ao comparar o presente. Falar das glórias do passado nas atuais condições é sentimentalismo (e isso é grande ofensa, não confundir com sensibilidade), é chororô de guri grande e, pior, é humor involuntário e dá vergonha alheia. Remeter-se às lembranças da infância de forma emocionada? Meu chapéu… Desista!
2.
Comentar jogo a jogo a evolução de um rabanete? As alternativas de um adubo? As impressões de uma apresentação de batatas, num campeonato de roceiros? Alegrar-se com migalhas? Emular o impedimento.org? Humm, melhor não, abstenha-se de expressar-se. Deixa pra eles porque o fazem melhor. Adote a seguinte postura: faça de conta que o videogame esperado no natal não chegou e, em seu lugar, roupas. Pois então, não tente dissimular, do contrário serás esse momento embaraçoso, essa pobre criança, o falso sorriso. Ou vai dizer que seria possível expressar alegria sincera? Cale-se, portanto, não nos constranja mais.
3.
Lembre-se sempre: títulos serão a verdade absoluta. Todo o resto, em campo, é apequenamento.
4.
Escrever sobre o patrimônio é salutar, afinal, a grandeza não nos abandonou de todo.
5.
Esqueçam os Ribeirinhos.
Enquanto um grande título não vier.
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Bem-vinda, vitória!
Publicado em 26/jan/2012 por Aline Cardias.
Tags: dale grêmio, Gauchão 2012, vitoria
Serei breve. Não vi o jogo e mal e porcamente acompanhei, pelo rádio, partes do segundo tempo. Obviedade das obviedades, VENCER era obrigação após aquela merreca de estreia. Abre parêntese – sai muito mal-humorada do Olímpico no último sábado – fecha. Objetivo dignamente alcançado nesta segunda jornada.
Sem contar toda a expectativa que tem se criado sobre este grupo, seria péssimo pra equipe começar um ano em que se espera muito, marcando passo. Claro que alguns descontos são dados exatamente por ser início de temporada. Mas estes não deverão ser utilizados por muito tempo como justificativas. Falo isso porque espero que lá em março, no pontapé inicial pra Copa do Brasil, o Grêmio já tenha alcançado o mínimo ideal desejado.
Ainda não fiz uma análise mais crítica do time que vem começando como titular. Até porque acredito que a fotografia deste sofrerá alterações. A saudar, ao menos nesta primeira amostragem, o retorno do poder ofensivo da nossa dupla de ataque. Bom, logo na primeira oportunidade atuando lado a lado, Kleber e Marcelo Moreno mostrando suas credenciais. Que seja uma rotina pra todo o ano.
Outro aspecto que me apeguei foi na, novamente, substituição do Marco Antônio. Deficiência técnica ou opção tática do técnico? Será que a satisfatória atuação do substituto Gabriel coloca uma interrogaçãozinha na cabeça do Caio? Pode/deve o técnico gremista passar a utilizá-lo na lateral voltando a aproveitar Mário Fernandes na zaga? Falando em defesa, ficaremos mesmo sem outra contratação pro setor?
Aguardemos os próximos embates.
Dale!
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Que comece logo!
Publicado em 16/jan/2012 por Charles Hansen.
Tags: 2012

Segunda se foi. Conto 5 dias para o reencontro. Encontro com o velho Monumental, encontro com o tricolor. Recomeça tudo novamente, mais um pedaço das nossas vidas. Nossa história se confunde por muitas vezes com a história do Grêmio. É inseparável. O Grêmio é a metáfora da vida, ao menos, das nossas.
Ansiedade.
Sempre, ano após anos, antecedendo ao primeiro carrinho, a primeira avalanche paira toda a ansiedade do início. Junto aquela pergunta: como vai ser? Sentimento de que 2012 será um ano inesquecível, o adeus definitivo para a década maldita que cisma nos acompanhar. 2012 do Monumental, da Arena e dos títulos. Que assim seja.
Sábado lá estaremos, custe o que custar, para viver o GREMISMO que dá sentido as nossas vidas!







