O post de hoje é curto, mas necessário. Há trinta anos foi jogada a final do Campeonato Gaúcho de 1977. Depois de um longo período de jejum de títulos o Grêmio formou um time capaz de quebrar a hegemonia colorada. Uma vitoria de 1x0 que representou a primeira grande retomada tricolor.
Mais precisamente, aos 42 minutos do segundo tempo daquele Gre-Nal no dia 25 de setembro de 77. Tarciso bateu falta da direita, Tadeu Ricci desviou e André Catimba mandou para o gol. O Olímpico explodiu na maior festa que vira até então. Na comemoração, o herói deu um salto mortal que não conseguiu concluir. Ele desabou de cara no chão. Com uma lesão, teve que deixar o jogo. A torcida logo invadiu o gramado, eufórica com a quebra de uma dolorosa hegemonia de oito anos do rival.
E desde então a torcida gremista viu ressurgir o Grêmio.
Grêmio este que não demorou em ganhar o Brasil, a America e Mundo.
Gremistas de todos os pagos. Lembremos com orgulho desta data.
Estive na cancha no final de semana. Não poderia ser diferente. Jogo importante para as pretensões gremistas. O ano de 2008 passava também por esse jogo. O Santos um duro adversário direto na busca de uma das vagas para a Libertadores. Nestes enfrentamos que se joga a vida não poderia dar outra. Vitória maiúscula e término da rodada no 3º posição. Nada mal.
Se formos analisar este momento com a campanha do ano passado, estamos no caminho certo. Nesta etapa do campeonato estamos com número de pontos similares. Isso nos permite sonhar com a classificação. De quebra estamos com um ótimo aproveitamento em casa e uma defesa bastante sólida. Precisamos apenas caprichar no ataque sem descuidar da defesa.
Me chama também muita atenção este engajamento que habita fortemente no Largo dos Campeões. Jogadores, comissão, direção e torcedores sabem o que estão buscando, fazendo por onde, correndo atrás do objetivo.
Deste último jogo, além do gol fiquei com ótimas imagens na mente: leia mais…
Éramos sete: eu, Leonardo e Cléber na facção dos brasileiros; Juanjo, Diego “Lion”, Miguel e Pablo representando os porteños. Nosso destino: o estádio Tres de Febrero, no bairro Jose Ingeniero, na província, a 40 minutos de ônibus do bairro Almagro. Fomos assistir à partida Almagro vs Defensa e Justicia, no dia 10 de maio.
Quando cheguei em Buenos Aires, descobri que o Grêmio tinha um time “irmão” por aqui. Não entendi muito bem o que isso significava, mas quando o Leonardo me mandou uma foto de uma pichação onde os escudos de Grêmio e Almagro apareciam juntos, percebi que a coisa era séria. A camiseta tricolor dos dois times é praticamente idêntica. Por isso, aceitei na hora a proposta de irmos ao estádio ver o Almagro jogar, tendo como guia o bem-humorado Juanjo, um sujeito alegre de quarenta anos e espírito de vinte que assim que me viu me entregou um punhado de adesivos tricolores onde se lê: “GREMIO-ALMAGRO / Hermanos Tricolores / Una Pasion Sin Fronteras”.
Depois de ficarmos umas duas horas bebendo Isenbeck litrão e comendo panchos num boteco da Av. Córdoba, pegamos o 146 e viajamos 40 minutos até a província, bebendo Coca-Cola com Fernet misturados em garrafas pet. O Tres de Febrero fica muito longe da sede do clube (que fica no próprio bairro central de Almagro) porque quando eles foram construir seu estádio não havia mais espaço nenhum à disposição na cidade. leia mais…
“Camaradas! Nós, que compomos a Primeira Brigada do exército liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência dessa província, a qual fica desligada das demais do Império e forma um Estado livre e independente, com o título de República Rio-Grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará oportunamente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: Viva a República Rio-Grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano rio-grandense!” (Antônio de Souza Netto)
Orgulho que estampa o coração do povo gaúcho, a Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha, que comemoramos hoje, são os nomes pelos quais ficou conhecida uma revolução ou guerra regional de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil, a então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense. Foi de 1835 a 1845 : é o conflito armado mais duradouro que ocorreu no continente americano.
Um século depois, na comemoração de seu centenário, foi disputado mais uma batalha – a final do regional metropolitano do campeonato gaúcho de 1935, conhecido como Campeonato Farroupilha. Esta final decidida em um grenal trouxe o imortal tricolor em desvantagem. O empate levaria o time de vermelho ao título.
Já muito doente de tuberculose, Eurico Lara esteve em campo. Exigiu sua presença. Foi bravo, fez defesas, fechou o gol. Conseguira segurar o ímpeto do adversário. A torcida do tricolor aplaudia de pé o seu arqueiro. Lara foi heróico. Acabou sendo substituído no intervao para o segundo-tempo, sendo levado direto para o hospital Beneficência Portuguesa de onde nunca mais saiu.
A partida se desenrolava árdua, e já próxima do final da partida - 40 minutos, quando a torcida vermelha já comemorava nas arquibancadas e soltava pombos correios para todo Estado informando sobre o feito, Osvaldo Rolla – Foguinho marcou o 1x0. Logo após a saída de bola em um contra-ataque Foguinho avançou chegando a frente do gol. Era adepto do futebol de força, raça e coletivo. Ao invés de chutar, deu um passe para Laci, ponteiro-direito, que chutou estufando os cordéis colorado.
Este foi o maior e mais representativo campeonato gaúcho da história. O Grêmio justificando seu sangue farrapo venceu aquela fase do torneio e vingou o sangue derramado por nossos antepassados. Contasse que o técnico gremista, durante a comemoração, sugeriu que pelos os próximos cem anos a data de 22 de setembro de 1935 fosse comemorada pelos seguidores do Grêmio. E assim se faz até hoje….
Os heróis da conquista foram: Lara (Chico), Dario e Luiz Luz; Jorge, Mascharenhas e Sardinha II; Laci, Russinho, Artigas, Foguinho e Divino.
SOMOS UM POVO DE LUTA SIM SENHOR
NOSSA HISTÓRIA É ASSIM
PARABÉNS RIO GRANDE DO SUL!
“Nos íamos viajar naquela noite para a serra e eu disse que não ia viajar. Então o Verardi mandou eu ir falar com o presidente. Ai eu disse que ia para a serra, mas não ia para Tóquio. Então eu fui para a serra e treinei. Ai voltamos, descemos para Porto Alegre, chegamos e eu falei:
- Seu Verardi, se o senhor não falar com o presidente, não vou viajar não.
No dia seguinte era a nossa viagem. Nos fizemos um jogo amistoso em Porto Alegre e eu insisti que não ia viajar se o presidente não tirasse aquela multa. Ai o Verardi sugeriu que nos fossemos na sala dele. Então nos fomos. Só que eu disse que eu queria uma testemunha. Levamos o Espinosa. Entramos. Eu me lembro ate hoje do presidente. Ele era meu pai. Então falou:
- O que houve, Renato?
- Não vou viajar
E o Espinosa apavorado. E o Koff:
- Não vai viajar, você esta maluco? Não vou tirar a multa.
Virou e mexeu, continuamos a discutir e fechou o seguinte: eu fiz um trato com ele.
Eu sugeri:
- Eu viajo e o senhor deixa a multa. Se nos formos campeões, o senhor tira a multa. Se eu meter um gol, o senhor me dá um reajuste, mas sendo campeão.
Ai ele disse:
- Ta legal.
Então falei:
- Tem mais uma coisinha: se eu meter dois gols, o senhor dá o meu reajuste e dobra meu salário. E o Koff disse:
- Você esta maluco?
Ai ele deu o reajuste e dobrou o meu salário com o maior prazer.
Quando terminou o jogo, eu perguntei: cadê o presidente? “Eu olhava para ele e ele fugia de mim, ai eu ria e ele também”
Por Renato Portaluppi no livro Até a Pé Nós Iremos, página 180.
Publicado por Charles Hansen em 17/set/2007 Tags:
grenal, vitoria
Desculpem, mas não poderia ter sido diferente. A vitória do imortal no clássico foi legítima. Uma vitória a la Grêmio.
Prepotência demais daquele clube vermelho de futebol brasileiro e de seus seguidores adentrarem no Olímpico Monumental querendo nos derrotar na semana mais importante deste Estado: aniversário do Grêmio e revolução farroupilha.
Eles não aprendem conosco. Somos soberbos e não prepotentes. Somos o GRÊMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE, um clube que nasceu da bola, que nasceu para o futebol, que carrega o rio-grande associado no nome. Um clube que nos remete ao sentimento de orgulho. Não somos feitos somente de vitórias, somos construídos por uma história de luta, superação e glória.
Penso que por aí começa a vitória deste último grenal. Como na metáfora “treino é jogo e jogo é guerra” o Grêmio é feito por seus homens, seus heróis, seu exército. leia mais…
Hoje é dia de festa, dia em que o Imortal e centenário tricolor completa 104 anos de glórias. Aproveitamos o fandango pra lançar nesse mesmo dia o nosso Gremiocopero.com. Um gritado BEM VINDOS SEJAM TODOS A ESSE ESPAÇO é o que desejamos a todos vocês que não são amargos, nem vermelhos! Opiniões linha dura (nem sempre), provocações elegantes (evidente que sim, somos azuis), agressividade relevante e bem medida (???), sempre com senso de humor gremista.
Amanhã quando o nosso Grêmio entrar em campo para o clássico de maior rivalidade da terra, assim como em qualquer outro jogo do Grêmio, será o Grêmio e seu caldeirão, o Grêmio e sua torcida (a melhor da sul-américa), o Grêmio e sua tradição, o Grêmio e sua história de conquistas épicas, o Grêmio e suas três cores sagradas, o Grêmio e sua camiseta imponente a entrar em campo. Entraremos todos nós. Empurremos sem descanso a nossa camiseta, as nossas cores, o nosso clube à vitória, não há espaço pra nada além do apoio. Os onze em campo, somados ao MAGO Menezes a beira dele, são os que nos representam ali dentro, sejam eles quem forem não há espaço, repito, para mais nada além de apoio.
Peço a esses onze o mesmo que pediu o grande Sandro “portero de boliche”* Goiano - espírito de libertadores, peço que sejam como cães famintos diante de carne vermelha! Espírito de Grêmio.
Vamos Grêmio copêro!
*segurança de boate - apelido dado a Sandro Goiano por narradores argentinos durante a última Libertadores da América.