Uma pena demagógica, uma pena eterna.

Publicado em 05/set/2014 por .

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Muito não adianta. Falar.

Ainda que anulem o julgamento, pois flagrante o desapego técnico dos auditores, pois flagrante o desrespeito destes pelo acusado, pelos colegas de profissão defensores do acusado, pois ainda que provem que se possa escutar entre cochilos ou com a atenção posta às mensagens no face, muito não adianta falar, nem desmentir que o julgamento tenha sido um grande teatro com discursos previamente definidos, travestidos de votos. E, ainda que o admitam, muito não adianta falar.

Ainda que o Fantástico reconheça que o STJD prega moral de cuecas, pois composto por racista, e que ao STJD lhe falta altitude moral, pois são seus auditores, como Pilatos, frouxos permeáveis ao clamor, emporcalhando a imagem do direito, e ainda que toda a imprensa que linchou um clube que fez tudo o que podia fazer divulgue sem cessar a opinião técnica de juristas, e  que apontem seus canhões exigindo justiça na Justiça; ainda que o façam, muito não adianta falar.

Ainda que o Grêmio reverta nos tribunais (pois está aberto o precedente) eventuais derrotas no campo por injúrias raciais  proferidas por indivíduos – a revelia do clube para qual torcem – contra a instituição mesma, ou a algum de seus atletas por gaúchos, nordestinos, paraguaios, uruguaios, argentinos, etc, xenofobia, homofobia, Coligay, Gaymistas, gazelas…; ainda que do castelo da FIFA Blatter, o cínico, admita que equivocou-se; muito não adianta falar.

Condenar o Grêmio por racismo é afirmar que todos os torcedores do Grêmio são racistas, e que todos os torcedores e jogadores negros que passaram pelo clube são como aquele personagem do Samuel L. Jackson em Django Livre, ou como o “Capitão do Mato” de Rugendas.  O que serve ao ‘senhor de escravos’. Assim de simples. Quem será responsável pelas agressões aos que vestem a camisa do Grêmio nas cidades e estádios país e mundo a fora? Ocorrerá. Já está ocorrendo. Onde prova-se que o Zé Roberto deixou de ser negro para jogar no Grêmio? E Tarciso, e Ronaldinho, e Roger, e Everaldo? Onde prova-se que no nosso estádio não ingressa um negro, pois negro?  Por que é isso o que é o racismo, meus caros. E isso também! E o Abel Braga, treinador do Inter, numa conferência de imprensa dentro do Inter, dizendo que ‘o Tinga tem a alma muito mais branca que muitos de nós’, o que é? Onde prova-se racismo no Grêmio? Quem se fará cargo a partir de agora por tudo o que implica esta punição? Porque transferir em culpa coletiva o que é culpa individual? Isso é canalhice, é revanchismo. Ninguém nega que o racismo existe, nem que aqueles torcedores que chamaram o Aranha de macaco tenham cometido injúria racial. Ninguém, muito menos o Grêmio. Mas o que faz o Grêmio responsável legal por eles? Tendo o Grêmio, inclusive, os identificado e disponibilizado seus nomes à justiça. Acaso o clube deverá consultar aos seus torcedores na porta do estádio se, em caso de cera ostensiva praticada por um jogador, o chamarão de macaco, de branco azedo, de judeu, de nazista, de filho da puta? Qual revista policial acusa isso? Entendo.

Fábio Koff, em brilhante ironia comentou imediatamente após o julgamento, “se nós acabarmos com a discriminação racial no Brasil em função desta decisão, o Grêmio fica feliz”.

Todos sabemos que ao punir o clube, cometeu-se uma injustiça. Muito não adianta falar, a mácula será eterna. Temos de agir.

*vídeo nos comentários. Minuto 01:25.

 

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Os erros individuais.

Publicado em 29/ago/2014 por .

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Outro ano de atividade útil para aumentar as dívidas. Grêmio como coadjuvante mais uma vez. No post abaixo um pequeno compilado de vídeos que já estava incompleto antes de ontem a noite. Ele, Werley. Nem vale a pena contestar a péssima atuação do árbitro com o segundo gol ilegal, com o pênalti não marcado no Zé Roberto, com a moleza de critério na hora de amarelar a vida do Santos, pela conivência com a irritante cera. Nada disso mudará o fato de que o Grêmio foi eliminado por uma falha do Werley.

Sobre o ocorrido com o Aranha: asqueroso, repudiável, nojento. Já dou por certo que haverá punição, no entanto, se esta recair em generalização que vá além dos marginais, punindo à todos e não à estes, será como se afirmassem que somos todos racistas, clube e torcedores, e isto, senhores, é calúnia e passa muito longe de querer punir culpados, de querer resolver o problema. Transferir culpa individual a coletiva é mostra prática de incompetência daqueles a quem cabe aplicar a lei. Ao Grêmio cabe fazer o que promete fazer.

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